O site que adivinha em quem você está pensando
Domingo, 11 Janeiro, 2009 at 20:44 | In curiosidades | 2 CommentsTags: adivinhar pensamentos, Akinator, dedução, inteligência artificial

Será esse o primeiro rascunho da Inteligência Artificial na grande rede da web?? Será o princípio da SkyNet que nos dará um conflito a la terminator? Realmente é interessante o que a imaginação pode compilar. Sempre tem alguém
O processo do site Akinator é simples. O internauta preenche nome, idade e sexo. Após isso, começa a responder perguntas que começam mais genéricas, como “Seu personagem é mulher?” ou “Seu personagem é famoso?”, até algumas mais especificas. No caso de Steve Jobs, por exemplo, as duas últimas etapas antes do acerto perguntavam se o personagem era do mundo da computação e se a história dele está ligada a maçãs.
Mas o que mais impressiona não é o nível de acerto do Akinator, e sim como ele consegue adivinhar quem o internauta está pensando antes de um número de perguntas considerado suficiente. Realmente interessante, um dia nosso PC ainda se rebelará conosco.
E aí? Seus pensamentos foram descobertos??
Fonte: http://pt.akinator.com
Canção para os fonemas da alegria
Domingo, 11 Janeiro, 2009 at 20:30 | In Poesia | Leave a CommentTags: alfabetizar, leitura, Paulo Freire, Poesia, Thiago de Mello
Thiago de Mello
A Paulo Freire
Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.
Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.
Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,
e pode ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas
são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.
Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:
porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas um modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor
Peço licença para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:
ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte,
contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.
Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:
canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.
Santiago do Chile,
primavera de 1964.
©Thiago de Mello
In, Faz Escuro Mas Eu Canto, 1998
Editora Bertrand Brasil Ltda
Rio de Janeiro – RJ – Brasil
“A Internet é uma utopia: o homem nunca foi tão sozinho”
Domingo, 11 Janeiro, 2009 at 20:27 | In Cultura e Comportamento | Leave a CommentTags: humanização, internet, Marie-France Bouilly, solidão, tecnologia, utopia, web
Nessa entrevista a professora Bouilly comenta algo que apesar de não soar como nenhuma novidade é interessante de refletir sobre os termos da “neutralidade” com que se apresenta essa grande ferramenta mundial da web.
O uso da mesma, o que realmente se procura preencher ao acessa-la, poderá girar desde a simples curiosidade de um entretenimento até mesmo um mecanismo egoísta, frio e destrutivo.
Discordo dela ao se referir ao “para que as novas tecnologias”. Eu diria que, desde que, visem à humanização, venham dar suporte e otimizem a boa utilidade e auxiliem o dia a dia das pessoas, sem as tornarem estéreis dependentes de máquinas, por mim é algo interessante e inevitavelmente irreversível.
No âmbito da utopia a tecnologia não deve(ria) se tornar uma prótese do contato humano, não deve(ria) encobrir o ato do ir de encontro ao outro, das coisas mais simples e aquecidas que o contato com as pessoas reais em nosso dia a dia tem a nos oferecer de forma ímpar e insubstituível.
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A seguir a entrevista com Marie-France Bouilly:

A professora francesa Marie-France Bouilly falou sobre o tema A importância da tecnologia para manter o sistema social no VIII Seminário Internacional da Comunicação – Mediações Tecnológicas e a Reinvenção do Sujeito, realizado nos dias 3 e 4 de novembro de 2005, na PUCRS, em Porto Alegre. Ela é presidente da Associação Francesa de Relações Públicas (AFREP).
A entrevista a seguir foi feita pessoalmente pela redação da IHU On-Line. Nela, a francesa afirma que “pode-se fazer coisas horríveis através da Internet. Não penso que o homem esteja se comunicando. Para que essas novas tecnologias? Não há mais limites. Penso que o homem está se tornando insensato com esse instrumento que o permite “navegar” pelo mundo inteiro, em inúmeras informações mais ou menos justas. Tenta-se criar utopias, tenta-se construir grandes cidades planetárias, uma cyber cidade planetária. Não é verdade. O homem nunca foi tão sozinho”.
IHU On-Line – Quais os principais aspectos abordados pela senhora em sua conferência?
Marie-France Bouilly – Na minha conferência, falei das cyber cidades planetárias que nos são impostas, pois não é necessariamente uma escolha. Falei da dificuldade que os homens têm atualmente em se comunicar. Estamos na era da comunicação, no milênio da comunicação, e penso que nunca nos comunicamos tão mal. Falei também das tecnologias que não mudaram. Um comunicado de imprensa será sempre um comunicado de imprensa, um dossiê de imprensa será feito sempre da mesma forma. O que vai mudar é o meio de transferi-los aos jornalistas implicados no processo. É preciso saber que, na França, os jornalistas recebem tantos documentos pela Internet, que atualmente estão tendo um bloqueio. Eles não os lêem mais, colocam-nos diretamente na lixeira. Isso provoca problemas, pois atualmente eles nos pedem para enviar-lhes coisas pelo correio. Nunca utilizamos tanto papel e imprimimos tanto como desde que começamos a utilizar a Internet. Para mim, a Internet é uma utopia.
IHU On-Line – A senhora tem uma idéia da razão de os homens não se comunicarem mais ou por que há esse problema atualmente?
Marie-France Bouilly – Há hipóteses. Alguns dirão que os homens se comunicam. Mas nos encontramos no seguinte problema: a facilidade existe, mas não nos deslocamos mais, enviamos um e-mail. Acho normal e fabuloso poder me comunicar com o Brasil pela Internet. Comuniquei-me com a Universidade e organizei meu deslocamento. Perfeito. Mas não é normal que a 30 quilômetros de meu domicílio, as pessoas com as quais trabalho me enviem um e-mail e não usem mais seus telefones. Para mim, a mais bela invenção do século XX é o telefone. Nele se tem o contato humano. Penso que a comunicação está, antes de tudo, baseada no contato humano e, com a Internet, não há mais isso. Os jovens estão hipnotizados diante do monitor do computador. Não se movem mais, tornam-se tão cinzentos quanto seus computadores e não se comunicam mais. Estamos em um mundo fechado. Então, penso que não estamos na era da comunicação, mas, na da intoxicação da comunicação. Da desinformação total. Por quê? Expliquei também em minha intervenção que se pode difundir muitos rumores, fazer coisas horríveis pela Internet. Não penso que o homem esteja se comunicando. Para que essas novas tecnologias? Não há mais limites. Na França, temos a expressão il faut raison garder (é preciso manter a razão) e penso que o homem está se tornando insensato com esse instrumento que o permite “navegar” pelo mundo inteiro, com inúmeras informações mais ou menos justas. Tenta-se criar utopias, tenta-se construir grandes cidades planetárias, uma cyber cidade planetária. Não é verdade. O homem nunca foi tão sozinho.
IHU On-Line – Por que é importante trazer esse debate a um congresso internacional e ao meio acadêmico?
Marie-France Bouilly – Penso que é interessante conduzir esse debate, pois estamos no centro dele. Essa geração de estudantes tem a mesma problemática, tanto na França quanto no Brasil. É um problema interplanetário e se consegue que as pessoas, enquanto temos meios de comunicação extraordinários, tais como o trem TGV (Trem de Grande Velocidade), o avião, o telefone, se reúnam para manter justamente esse contato. Os homens se separam cada vez mais, se fecham. E disso, eu ainda não consigo entender verdadeiramente a causa. Mas estamos em uma sociedade do isolamento. Observe que, na atualidade, se pode trabalhar do interior da zona rural. Existe o telefone celular, o monitor e não há mais necessidade de sair de casa. Desligamo-nos do mundo real. Vivemos em um mundo virtual. E isso, para mim, que sou uma mulher de contatos, é muito difícil de entender. Nada substituirá um aperto caloroso de mão, um olhar, um contato com seu cliente, seu interlocutor. Como queremos definir a personalidade do indivíduo que está diante de nós, pelo monitor? Um monitor é frio, vazio, glacial. Na vida, não é assim, é de outra forma. Estamos em pleno isolamento. O homem se isola. Há muita angústia. Será que eles têm medo? Penso que ele teme o mundo real no qual vive. Isso é certo. Podemos fazer uma videoconferência onde cada um fala de seu país sobre o tema. Mas é tão agradável vir ao encontro dos outros. E isso está terminando. Estão se criando cyber robôs.
IHU On-Line – De que maneiras as novas tecnologias podem se tornar instrumentos políticos de construção da cidadania?
Marie-France Bouilly – Hoje se pode tudo fazer pela Internet. Pode-se votar, gerenciar a conta diretamente, mas não se pode responder sobre isso. Estou mais voltada para a comunicação pura, a verdadeira comunicação. A do encontro do outro.
(Fonte: Unisinos)
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