Os últimos minutos com Oden

Oden

“Last minutes with Oden” ou "Os últimos minutos com Oden" é um vídeo de 6 minutos que lhe convido a também assistir. Ele mostra a tristeza de Jason Woody ao tomar a decisão de sacrificar o seu cão, Oden, por conta de um câncer em estágio terminal.

O curta é emocionante e ganhou o prêmio de melhor vídeo em 2010 no Vimeo Awards. Talvez muitos não gostem (pelo título) nem de chegar perto, prefiram algo diferente. Mas esse microdocumentario produzido pela Phospictures, cumpre seu papel e manda seu recado.

Minha avó gostava muito de ver filmes com animais, em especial com cães e comentava sorridente a cada cena deles, pois ela tivera vários e as histórias com eles eram muitas. Eu também convivi com um "amigão" que só depois soube que foi sacrificado. E por não saber, nem pude estar ao lado dele. Sim, ele deixa saudades até hoje. De certa forma esses "melhores amigos" estão num tal estágio "doméstico", que em muitas vezes parece realmente (e porque não) fazerem parte integrante de muitas famílias por onde passam. Muitas pessoas talvez extrapolem e queiram "humanizar" seus animais de estimação.

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Talvez o principal gesto de amor, tão gratuito quanto o deles, seja trata-los, não como "humanos", mas como "amigos". Com o amor que nos for possível, daqueles sem temor da rejeição ou da insegurança. Amor muitas vezes mais simples, rápido, puro e forte do que no costumeiro processo humano.

Como no documentário, realmente parece que muitos deles vieram ao mundo para nos servir, para nos ensinar a amar e a compartilhar esse amor entre as pessoas. Nem todos compreendem, nem todos aprendem.

Não acredito que se trata do que muitas pessoas que tratam dos animais afirmam: "Prefiro conviver com eles do que com pessoas". Acredito que se trate justamente de um aprendizado, não somente de "amar", mas do destemor de se deixar ver como somos pelos outros, sem receio, sem expectativas.

"Para o cão não importa se você é rico, pobre, classe média.
Para o cão não importa se você é um cara importante, um desconhecido ou alguém famoso.
Para o cão não importa de onde você veio, quem você é.
Dê o seu coração a ele, e ele lhe dará o seu."

("Marley, o pior cão do mundo" – do livro e posterior filme, "Marley e Eu")

Espiritualidade monástica

O valor do silêncio


Três vezes por dia, tudo pára na colina de Taizé: o trabalho, os estudos bíblicos, os intercâmbios. Os sinos chamam à igreja para rezar. Centenas, por vezes milhares de jovens de países muito diversos através do mundo, rezam e cantam com os irmãos da Comunidade. A Bíblia é lida em várias línguas. No centro de cada oração comunitária, um longo tempo de silêncio é um momento único de encontro com Deus.


Silêncio e oração

Se nos deixarmos guiar pelo mais antigo livro de oração, os Salmos bíblicos, nós encontramos aí duas formas principais de oração: por um lado o lamento e o pedido de socorro, por outro o agradecimento e o louvor. De forma mais oculta, há um terceiro tipo de oração, sem súplicas nem louvor explícito. O Salmo 131, por exemplo, não é senão calma e confiança: «Estou sossegado e tranqüilo… Espera no Senhor, desde agora e para sempre!»

Por vezes a oração cala-se, pois uma comunhão tranqüila com Deus pode abster-se de palavras. «Estou sossegado e tranqüilo, como uma criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada.» Como uma criança saciada que parou de gritar, junto da sua mãe, assim pode estar a minha alma na presença de Deus. Então a oração não precisa de palavras, nem mesmo de reflexões.

Como chegar ao silêncio interior? Por vezes calamo-nos, mas, por dentro, discutimos muito, confrontando-nos com interlocutores imaginários ou lutando conosco mesmos. Manter a sua alma em paz pressupõe uma espécie de simplicidade: «Já não corro atrás de grandezas, ou de coisas fora do meu alcance.» Fazer silêncio é reconhecer que as minhas inquietações não têm muito poder. Fazer silêncio é confiar a Deus o que está fora do meu alcance e das minhas capacidades. Um momento de silêncio, mesmo muito breve, é como um repouso sabático, uma santa pausa, uma trégua da inquietação.

A agitação dos nossos pensamentos pode ser comparada com a tempestade que sacudiu o barco dos discípulos, no Mar da Galiléia, enquanto Jesus dormia. Também nos acontece estarmos perdidos, angustiados, incapazes de nos apaziguarmos a nós mesmos. Mas Cristo também é capaz de vir em nosso auxílio. Da mesma forma que falou imperiosamente ao vento e ao mar e que «se fez grande calma», ele pode igualmente acalmar o nosso coração quando está agitado pelo medo e pelas inquietações (Marcos 4).

Fazendo silêncio, pomos a nossa esperança em Deus. Um salmo sugere que o silêncio é mesmo uma forma de louvor. Nós lemos habitualmente o primeiro verso do Salmo 65: « A ti, ó Deus, é devido o louvor ». Esta tradução segue a versão grega, mas na verdade o texto hebreu diz: «Para Vós, ó Deus, o silêncio é louvor». Quando cessam as palavras e os pensamentos, Deus é louvado no enlevo silencioso e na admiração.


A Palavra de Deus: trovão e silêncio

No Sinai, Deus falou a Moisés e aos Israelitas. Trovões, relâmpagos e um som de trompa cada vez mais forte, precediam e acompanhavam a Palavra de Deus (Êxodo 19). Séculos mais tarde, o profeta Elias volta à mesma montanha de Deus. Ali revive a experiência dos seus antepassados: tempestade, tremores de terra e fogo, e ele prontifica-se a escutar Deus falando-lhe no trovão. Mas o Senhor não está nos fenômenos tradicionais do seu poder. Quando o grande barulho pára, Elias ouve «o murmúrio de uma brisa suava», e então Deus fala-lhe (1 Reis 19).

Deus fala com voz forte ou numa brisa de silêncio? Temos de tomar como modelo o povo reunido ao pé do Sinai ou o profeta Elias? Provavelmente isto é uma falsa alternativa. Os fenômenos terríveis que acompanham o dom dos dez mandamentos sublinham a sua importância. Guardar os mandamentos ou rejeitá-los é uma questão de vida ou de morte. Quem vê uma criança correr em direção a um carro que passa, tem muitas razões para gritar tão alto quanto consiga. Em situações análogas, os profetas anunciaram a palavra de Deus de forma a fazer zumbir as orelhas.

Palavras ditas com voz forte fazem-se ouvir, impressionam. Mas sabemos bem que elas quase não tocam os corações. Em lugar de acolhimento, elas encontram resistência. A experiência de Elias mostra que Deus não quer impressionar, mas ser compreendido e acolhido. Deus escolheu «o murmúrio de uma brisa suave» para falar. É um paradoxo:

Deus é silencioso e no entanto fala

Quando a palavra de Deus se faz «o murmúrio de uma brisa suave», ela é mais eficaz do que nunca para transformar os nossos corações. A tempestade do monte Sinai abria fendas nos rochedos, mas a palavra silenciosa de Deus é capaz de quebrar os corações de pedra. Para o próprio Elias, o silêncio súbito era provavelmente mais temível do que a tempestade e o trovão. As poderosas manifestações de Deus eram-lhe, em certo sentido, familiares. É o silêncio de Deus que desconcerta, porque é muito diferente de tudo o que Elias conhecia até então.

O silêncio prepara-nos para um novo encontro com Deus. No silêncio, a palavra de Deus pode atingir os recantos escondidos dos nossos corações. No silêncio, ela revela-se «mais penetrante do que uma espada de dois gumes, penetra até à divisão da alma e do corpo» (Hebreus 4,12). Fazendo silêncio, deixamos de esconder-nos diante de Deus, e a luz de Cristo pode atingir, curar e mesmo transformar aquilo de que temos vergonha.

Silêncio e amor

Cristo diz: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (João 15,12). Precisamos de silêncio para acolher estas palavras e pô-las em prática. Quando estamos agitados e inquietos, temos tantos argumentos e razões para não perdoar e para não amar facilmente. Mas quando temos «a nossa alma em paz e silêncio», estas razões desaparecem. Talvez por vezes evitemos o silêncio, preferindo-lhe qualquer barulho, palavras ou distrações quaisquer que elas sejam, porque a paz interior é uma questão arriscada: torna-nos vazios e pobres, dissolve a amargura e as revoltas e leva-nos ao dom de nós mesmos. Silenciosos e pobres, os nossos corações são conquistados pelo Espírito Santo, cheios de um amor incondicional. De forma humilde mas certa, o silêncio leva a amar.

Fonte:  Taizé

Já havia ouvido falar sobre Taizé? Qual impressão teve do texto? Também acha que intercalar a vida com momentos de silêncio é interessante? Se achar interessante partilhe suas impressões num post.

Cien Sonetos

Cien Sonetos

tulipas

Soneto XVII


(Cien sonetos de amor – Soneto XVII – Pablo Neruda)

“No te amo como si fueras rosa de sal, topacio

o flecha de claveles que propagan el fuego:

te amo como se aman ciertas cosas oscuras,

secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva


dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,

y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo

el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,


te amo directamente sin problemas ni orgullo:

así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,

tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,

tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.”


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“Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio

ou flecha de cravos que propagam o fogo:

te amo como se amam certas coisas escuras,

secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva


dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,

e graças a teu amor vive escuro em meu corpo

o estreitado aroma que subiu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,


te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:

assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que não sou nem és,

tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,

tão perto que se fecham teus olhos com meu sono.”