Arte na Areia – uma linguagem universal

 

Recebi um e-mail com esse interessante fato.

A talentosa jovem Kseniya Simonova, de 25 anos, foi a vencedora da edição Ucraniana do Britain’s Got Talent, que teve sua final transmitida ao vivo pela televisão. Ela interpretou com sua arte, o momento de quando a Alemanha invadiu a Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, usando apenas as mãos e uma superfície com areia. Emocionou a platéia, trazendo até mesmo lágrimas aos olhos de juízes e do público.

A jovem começou a desenhar na areia em 2008, quando entrou numa crise de crédito e seu negócio caiu na bancarrota. Seu desejo de sobressair a levou a essa técnica de animação como um ponto de virada para a dramática situação que se seguiu. Valeu a pena colocar o bom trabalho e criatividade, que muitas vezes surge nos seres humanos após a crise.

 

Foram 8 minutos onde a talentosa jovem, através da arte, trouxe a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações. Quem viveu, recorda. Quem não viveu, imagina e passa a conhecer uma realidade dolorosa e ‘inimaginável’. Que através da arte, possa o mundo encontrar uma forma positiva e otimista de lidar com o diferente. A prova disso é que você não precisa sacar ucraniano para compreender o que ela expressa. Ainda bem, não é? ;)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O vídeo com a apresentação no youtube está dobrando a marca de mais de 17 milhões de visualizações, até o momento (22/12). Realmente vale a pena ver e refletir.

Arte na web – criatividade e talento

 

São desenhos, fotos e montagens que me chamaram a atenção pela criatividade e talento de seus autores, que infelizmente acabam se perdendo e ficando desconhecidos no meio do mar da web. Caso você tenha alguma sugestão para acrescentar a este post, ou saiba a autoria de alguns destes a seguir, deixe o link no seu comentário, ok?

 

att00000r

 

att000012601572

 

 

att000022601165

 

att000032601540

 

att000052601531

 

 

att000062601528

 

att000082601525

 

att000092601511

 

att000112601493

 

 

att000122601478

 

ilusion178rv2601446

 

La_hija_del_flautista_by_danirula

 

nnbnm2601418

 

riolimpo2601259

 

 rjehtjurhe2601415

 

sem140192601368

 

moonlightbeach

 

passaros-musicais-4805

 

abraço atraves de palavras

 

Black_Haired_Girl_by_Dies_a_Irae

Princesa_Tiana

cavalo no lago

Escolas matam a criatividade?

 

Palestra bem humorada e com conteúdo profundo e inteligente, ministrada num congresso em fevereiro de 2006, em Monterey, California, com o professor doutor, perito em criatividade, Ken Robinson (que trabalha com o desenvolvimento da criatividade, inovação e recursos humanos e defende uma reformulação do sistema escolar. Possui também extensa publicação nas áreas citadas e também na inovação, cultura e reconhecimento de outros tipos de inteligência).

Boas (e importantes) idéias para mim não possuem fronteira, de idioma, geografia ou cultura. Nestes vídeos (legendados em portugues), vale a pena assistir e refletir sobre o quanto de sensato há nas palavras deste professor. Se já seria válido ouvir uma opinião sobre uma determinada realidade educacional, podemos nos surpreender o quanto estas realidades podem possuir inúmeros pontos em comum. Fica a sugestão a alunos e professores.

 

 

O modelo padrão e padronizador de escola, aluno e professor não estaria a formar os limites rasos de um sistema educacional? Vitoriosos e corretos são só os que respondem e correspondem aos estímulos sócio-pedagógicos vigentes? Seria este o molde atual dos profissionais que se encaixam no mercado de trabalho verborrágico em sua erudição prolixa? Ou os que são bem remunerados? Bem, se essa é a régua que mede o sucesso, então as ideias do professor ainda tem muito o que rodar e debater mundo afora.

 

Uma visão otimista das idéias da palestra seria toda uma geração que passaria por um "corredor vocacional" totalmente diferente onde o despertar para o que realmente gostassem se desse em moldes otimistas, alargando os horizontes e os padadigmas.

Quais as repercussões disto na sociedade? Não saberia por onde iniciar a listagem, mas creio que os efeitos deste "risco" seriam benéficos. O que acham?

 

 

Fonte: www.ted.com e Youtube

Malba Tahan

Talvez nenhum professor tenha marcado tanto em criatividade e genialidade dentro de sala de aula e fora dela, quanto o professor Júlio César. Sem dúvida um talento que teria que transbordar e ressoar fora dos limites tradicionais da sala de aula e escola. Eis um exemplo do ritmo inventivo que poderíamos ser protagonistas caso a educação em nosso país fosse tratado como prioridade fundamental. A seguir um pouco de sua vida narrada na reportagem de Luiza Villamea e Bibliografia da Revista Nova Escola de setembro de 1995.


O genial ator da sala de aula

Júlio César de Mello e Souza nasceu há cem anos e celebrizou-se como Malba Tahan. Foi um caso raro de professor que ficou quase tão famoso quanto um craque do futebol. Em classe, lembrava um ator empenhado em cativar a platéia. Escolheu a mais temida das disciplinas, a Matemática. Criou uma didática própria e divertida, até hoje viva e respeitada. Ainda está para nascer outro igual.

Exímio contador de histórias, o escritor árabe Malba Tahan nasceu em 1885 na aldeia de Muzalit, Península Arábica, perto da cidade de Meca, um dos lugares santos da religião muçulmana, o islamismo. A convite do emir Abd el-Azziz ben Ibrahim, assumiu o cargo de queimaçã (prefeito) da cidade árabe de El-Medina. Estudou no Cairo e em Constantinopla. Aos 27 anos, recebeu grande herança do pai e iniciou uma longa viagem pelo Japão, Rússia e Índia. Morreu em 1921, lutando pela libertação de uma tribo na Arábia Central.

A melhor prova de que Malba Tahan foi um magnífico criador de enredos é a própria biografia de Malba Tahan. Na verdade, esse personagem das areias do deserto nunca existiu. Foi inventando por outro Malba Tahan, que de certo modo também não existiu efetivamente: tratava-se apenas do nome de fantasia, o pseudônimo, sob o qual assinava suas obras o genial professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista brasileiro Júlio César de Mello e Souza. Na vida real, Júlio nunca viu uma caravana atravessar um deserto. As areias mais quentes que pisou foram as das praias do Rio de Janeiro, onde nasceu em 6 de maio de 1895. Júlio César era assim, um tipo possuído por incontrolável imaginação. Precisava apenas inventar um pseudônimo, mas aproveitava a ocasião e criava um personagem inteiro.

Problemas das 1001 Noites

Malba Tahan e Júlio César formaram uma dupla de criação que produziu 69 livros de contos e 51 de Matemática. Mais de dois milhões de exemplares já foram vendidos. A obra mais famosa, O Homem que Calculava, está na 38º edição.

Com o seu pseudônimo, Júlio César propunha problemas de Aritmética e Álgebra com a mesma leveza e encanto dos contos das Mil e Uma Noites. Com sua identidade real, foi um criativo e ousado professor, que estava muito além do ensino exclusivamente teórico e expositivo da sua época, do qual foi um feroz crítico. “O professor de Matemática em geral é um sádico”, acusava. “Ele sente prazer em complicar tudo.”

Um sucesso feito de trabalho duro, lances de esperteza e muita imaginação

Um dos maiores incentivadores da carreira de Júlio César de Mello e Souza foi o seu pai, João de Deus de Mello e Souza. Ou, explicando melhor, a modesta mesada que seu pai lhe dava nos tempos de colégio. Funcionário do Ministério da Justiça e com uma escadinha de oito filhos para criar, João de Deus não podia fazer milagres. O dinheiro era contadinho. Para comprar uma barra de chocolate, por exemplo, o jovem Júlio César economizava na condução durante o final de semana.

Redações para vender

Nessa época Júlio descobriu a mina de ouro que tinha nas mãos. Um dia, um colega de classe mais endinheirado, mas fraco em escrita, pediu-lhe uma redação que desprezara, Esperança. Em troca, deu ao autor um selo do Chile e uma pena de escrever nova em folha. Era o início de um lucrativo negócio. Depois do episódio, para cada tema lançado pelo professor, o criativo Júlio César fazia quatro, cinco redações e as vendia a 400 réis cada.

As fumaças do gênio já começavam a desenhar o futuro Malba Tahan. A família já conhecia seu gosto pela literatura, mas tinha suas dúvidas:.. “Quando compunha uma historieta, era certo o Júlio criar personagens em excesso, muitos dos quais não tinham papel nenhum a desempenhar, dando-lhes nomes absurdos, como Mardukbarian, Protocholóski, Orônsio”, conta o irmão mais velho do escritor, João Batista, no seu livro Meninos de Queluz, em que lembra a sua infância e a de Júlio César em Queluz, interior de São Paulo.

Mais velho, Júlio César aprendeu a lidar com o descrédito. Quando tinha 23 anos, e era colaborador do jornal carioca O lmparcial, entregou a um editor cinco contos que escrevera. A [papelada ficou jogada vários dias sobre uma mesa da redação. Sem fazer nenhum comentário, Júlio César pegou o trabalho de volta. No dia seguinte, reapareceu no jornal. Trazia os mesmos contos, mas com outra autoria. Em vez de J.C. de Mello e Souza, assinava R.S. Slade, um fictício escritor americano. Entregou os contos novamente ao editor, dizendo que acabara de traduzi-los e que faziam grande sucesso em Nova York. O primeiro deles, A Vingança do Judeu, foi publicado já no dia seguinte – e na primeira página. Os outros quatro tiveram o mesmo destaque.

Marechal de pijama

Júlio César aprendeu a lição e decidiu que iria virar Malba Tahan. Nos sete anos seguintes, mergulhou nos estudos sobre a cultura e a língua árabes. Em 1925, decidiu que estava preparado. Procurou o dono do jornal carioca A Noite, Irineu Marinho, fundador da empresa que se tornaria as atuais Organizações Globo. Marinho gostou da idéia. Contos de Mil e Uma Noites foi o primeiro de uma série de escritos de Malba Tahan para o jornal. Detalhista, Júlio César providenciou até mesmo um tradutor fictício. Os livros de Malba Tahan vinham sempre com a “tradução e notas do prof. Breno Alencar Bianco”.

Júlio César viveu sem se dar conta do patrimônio cultural que construíra. Em um depoimento ao Museu da Imagem e do Som, declarou-se profundamente arrependido de não ter seguido a carreira militar, como queria seu pai. “Eu estaria hoje marechal, calmamente de pijama, em casa”, imaginava. “Não precisaria estar me virando na vida.”

O que Malba fazia fora dos livros e aulas

Desde menino, Júlio César de Mello e Souza tinha suas manias. Algumas completamente malucas, como manter uma coleção de sapos vivos. Quando vivia em Queluz, às margens do Rio Paraíba do Sul, Júlio César chegou a juntar 50 sapos no quintal da sua casa. Um dos animais, o Monsenhor, costumava acompanhá-lo, aos saltos, por suas andanças na região. Adulto, o professor Júlio César continuou a coleção, dessa vez com exemplares de madeira, louça, metal, jade e cristal.

Outras preocupações eram bem mais sérias. Ele sempre se entregou de corpo e alma à causa das vítimas da lepra, os hansenianos. De cabeça aberta e sem preconceitos, Júlio César de Mello e Souza editou durante 10 anos a revista Damião, que pregava o reajustamento social desses doentes. A dedicação de Júlio César era tão grande que, no seu testamento, pediu que lessem, à beira do seu túmulo, uma última mensagem de solidariedade aos hansenianos.

MUDANÇA NA IDENTIDADE

Malba Tahan, em árabe, quer dizer o “Moleiro de Malba”. Malba é um oásis e Tahan, o sobrenome de uma aluna, Maria Zechsuk Tahan. Por deferência do presidente Getúlio Vargas, o professor (ao lado, em aula) pode usar o pseudônimo na carteira de identidade. Ele gostava de vistar os trabalhos escolares carimbando o “Malba Tahan” escrito em caracteres árabes.

Um professor que andava muito mais rápido do que o seu tempo

Malba Tahan, o gênio da Matemática, foi um desastre completo nos números quando era o aluno Júlio César de Mello e Souza, do Colégio Pedro II, no Rio. Nessa época, seu boletim registrou em vermelho uma nota dois, em uma sabatina de Álgebra, e raspou no cinco, em uma prova de Aritmética.

Qual seria a causa de um desempenho tão fraco para alguém que viria a se apaixonar pela Matemática? Com certeza, Júlio César não gostava da didática da época, que se resumia a cansativas exposições orais. Mal-humorado, classificou-a mais tarde como O “detestável método da salivação”.

Nas palestras que dava – foram mais de 2000 ao longo da sua vida , nas aulas para normalistas ou nos livros que escreveu, Júlio César defendia o uso dos jogos nas aulas de Matemática. Enquanto os outros professores usavam apenas o quadro-negro e a linguagem oral, ele recorria à criatividade, ao estudo dirigido e à manipulação de objetos. Suas aulas eram movimentadas e divertidas. Defendia a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas.

Sem zeros e sem bombas

“Ele estava muito além de seu tempo’, afirma o respeitado matemático e professor paulista Antônio José Lopes Bigode, autoridade em Malba Tahan. “O resgate da sua didática pode revolucionar o ensino”, acredita. “Ainda hoje, o ensino tradicional da Matemática é responsável por metade das repetências.”

Em sala de aula, Júlio César não dava zeros, nem reprovava. “Por que dar zero, se há tantos números?”, dizia. “Dar zero é uma tolice:’ O professor encarregava os melhores da turma de ajudar os mais fracos. “Em junho, julho, estavam todos na média’, garantiu no depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

“Hoje, as atividades lúdicas são muito valorizadas, mas naquela época eram vistas como uma heresia”, observa o professor de Matemática Sérgio Lorenzato, de 58 anos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Lorenzato, que foi aluno de Júlio César, guarda como uma relíquia o caderno que usou para anotar as aulas. “Ele dizia que o caderno tinha de refletir a vida do aluno”, lembra Lorenzato. “E estimulava que colássemos em suas folhas gravuras, recortes de revistas e jornais e até provas já corrigidas.”

Carismático, Júlio César encantava os alunos. Mas nem todos se sentiam à vontade com a sua informalidade. “Os tradicionalistas eram absolutamente contrários a Malba Tahan e ao seu interesse pelo cotidiano da Matemática”, explica o editor de livros didáticos da editora Scipione, Valdemar Vello.

Júlio César foi professor de História, Geografia e Física até dedicar-se à Matemática. Sua fama como pedagogo se espalhou e ele era convidado para palestras em todo o país. A última foi em Recife, no dia 18 de junho de 1974, quando falou para normalistas sobre a arte de contar histórias. De volta ao hotel, sentiu-se mal e morreu, provavelmente de enfarte.

Júlio César deixou instruções para seu enterro. Não queria que adotassem luto em sua homenagem. Citando o compositor Noel Rosa, explicou o porquê: “Roupa preta é vaidade/ para quem se veste a rigor/ o meu luto é a saudade/ e a saudade não tem cor”.