Aborto ou PNDH-3 (Serra ou Dilma?)

 

Olá caros (e)leitores,
Paz e Bem!

Após receber dezenas de e-mails políticos, num bom pacote … enfim minha opinião a respeito.
Diante da movimentação da internet e das demais mídias que num levante de vozes, brada pela "vida", etc. etc. etc… Me parece que o FOCO (não foi sempre assim), está um pouco fora do prumo, embora até, possivelmente "bem intencionado", penso eu. Pois quero acreditar que muitos de nós, cidadãos, ainda se importam verdadeiramente com o bem estar do nosso próximo.

A campanha “pró ou contra” ele ou ela, tem sido meio dissipada pelo vento diante do MANIQUEÍSMO ARGUMENTATIVO que se faz com o aborto. Ao querermos "pintar" os 02 candidatos com as cores do aborto vamos nos deparar com a mesma cor d eburro quando foge, pois ambos possuem posições semelhantes e já deram passos públicos de incentivo à descriminalização.

 

Ao meu ver – se fosse somente esse assunto – o que determinasse o plano de ação, etc. e tal, eles estariam técnica e desgraçadamente empatados. Ou seja… quanto aos dois, diante dessa questão, não vejo diferenças. Ambos são favoráveis, assim como o exercício dos seus partidos. E nenhum deles discursou suficientemente ALTO E CLARO contra isso… ou seja… JÁ ERA. Aí vem o papo do "mal menor", etc. etc.  Enfim…  uma eleição não se afunila ou se resume a presente cantilena do aborto. Nenhum deles levará o meu voto, pena que a Marina não passou.

 

Os primeiros anos do governo atual  foram positivos e trouxeram alguns benefícios concretos e alguns benefícios aparentes e temporários. Mas penso sim que aconteceram mudanças concretas… FATO… o que porém não significa que tenhamos que desligar nosso prumo crítico e imaginar num governo formado de puros querubins altruístas e idealistas. Como por exemplo essa declaração colabora e serve como introdução à uma reflexão mais ampla:


Hélio Bicudo(PT): "José Dirceu me disse: Bolsa Família são mais de 40 milhões de votos"

Como cristão, sempre pensei e penso em trabalhar questões assim NA BASE, no contato corpo-a-corpo com as pessoas, na evangelização e testemunho que devemos dar e damos – nas mais diversas esferas da sociedade – e não apenas dentro das salas, nas paróquias – estando verdadeiramente ao lado do fraco, do miserável, do desesperançado, do solitário e do miserável. Ter um sentido aguçado de caridade e justiça.

Estar ou não na lei é uma consequência meio que inevitável de uma sociedade de valores cada vez mais hedonistas e materialistas, mas que também não deixa de ser um sinal que a qualidade da evangelização das igrejas cristãs no Brasil, está deixando a desejar.

 

Mas vou tocar num assunto que ao meu ver é mais sério que o aborto… digo mais sério porque uma vez que o aborto pode se colocar em ser um ato presumível (a mulher pode ser ficar balançada, pode mudar de opinião, etc. – vide o trabalho corpo a corpo do pessoal do pró-vida tmb na porta das clínicas). Já o tal do PNDH-3 já não presume, mas é taxativo.

 

Algo, a meu ver (mas não somente), bastante mais sério, pois engloba questões "supralegais", não chama-se aborto… mas sim o decreto do Plano Nacional dos Direitos Humanos 3 (PNDH-3). Para mim o ato mais lamentável desse governo foi o presidente ter assinado esse decreto. Talvez o ato mais grave em sete (07) anos de governo, porque seu conteúdo e propostas – caso aprovadas – trarão sérias consequências. Este Plano é seríssimo e sobre ele não estou ouvindo o posicionamente dos candidatos, pois o monólogo e a cantilena do aborto não para de tocar. Não que eu pense ou queira afirmar que o ato do aborto não é grave e nem que eu queira minimizar seu enfoque, apenas que nada disso adiantará absolutamente nada, caso o PNDH-3 siga adiante na surdina do escrutínio popular.

 

A questão é bastante séria… mas não vi nenhum padre ou bispo da Canção Nova, da Canção Velha, do grupo dos padres militantes disso ou daquilo, bispo conservador ou progressista fazer algum VÍDEO RECENTE (antigo tem???), para ao menos colocar o PNDH-3 JUNTO com o debate do aborto. Como a questão do aborto ESTÁ INCLUÍDA neste plano, penso que o próprio é que deveria ser o ponto de partida do debate, mas foi "silenciado/ofuscado" pelo discurso dos "bons".

 Para um governo de dois mandatos, que pena que somente nessa reta eleitoral é que começaram a bombar vídeos (depois de SETES ANOS), de padres e bispos denunciando a política partidária maléfica etc.

 

A CNBB se manifestou contrária ao PNDH-3, mas infelizmente nessa reta final das eleições (1º e 2º turno) o assunto não veio mais a tona, mas podemos aguardar que ano que vem ele virá novamente à tona e como prevê mais de QUINHENTAS MUDANÇAS (500) propostas na Constituição Brasileira ao estilo das pré-ditaduras da América Latina, simplesmente – caso as alterações sejam aprovadas e passem – o assunto do aborto será ENGOLIDO por outras questões mais imediatas e tão grave quanto.

 

Eis aqui, no conteúdo da fala desse renomado jurista, pontos sensíveis que não devem/deveriam ficar de fora do discurso dos padres/bispos/pastores/simpatizantes/teólogos/artistas e estudantes… Vale muito a pena ouvir com bastante atenção cada palavra do professor Ives Gandra, a respeito do PNDH-3.

Não sugiro ou insinuo nenhuma análise partitária ou dos presente candidatos, mas sim como a questão do FOCO no que é realmente IMPORTANTE foge facilmente diante da sociedade civil, ajudada por todos aqueles que monopolizam e apresentam e dividem para o "bem e para o mal", num pensamento simplista (maniqueísmo) com o qual é visto o "aborto", na grande maioria das argumentações que já li e ouvi na mídia, internet entre elas.

A quem se interessar em "conhecer" algo grave chamado PNDH-3, vale ouvir a fala do professor Ives com ATENÇÃO:

 

IVES GANDRA falando a respeito do PNDH-3:

 

IVES GANDRA COMENTA O PROGRAMA DE DIREITOS HUMANOS DO PT- P1/2 :

IVES GANDRA COMENTA O PROGRAMA DE DIREITOS HUMANOS DO PT- P2/2:

Ao menos considero uma fala interessante e que sai da cantilena do conteúdo pré-eleitoral atual…

Smiley nerd
Shalom!

Guto Santos

Memórias Reveladas

 

 

"Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça"

 

O site "Memórias Reveladas", do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil, posto no ar pelo Arquivo Nacional e a Casa Civil da presidência da República, tem a proposta de reunir documentos públicos sobre o regime militar totalitarista, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. A atual juventude, que não vivenciou este período, hoje em dia não dão lá muita importância. Vive em grande parte em sua alienação.

Memorias Reveladas

O site possui no momento cerca de 150 mil prontuários, 1 milhão de fichas, 9 mil pastas de dossiêis e mais de 4 mil documentos de ordem social e política.

O "Memórias Reveladas" coloca à disposição de todos os brasileiros os arquivos sobre o período entre as décadas de 1960 e 1980 e das lutas de resistência à ditadura militar, quando imperaram no País censura, violação dos direitos políticos, prisões, torturas e mortes. Trata-se de fazer valer o direito à verdade e à memória.

 

 

"Estamos abrindo as cortinas do passado, criando as condições para aprimorarmos a democratização do Estado e da sociedade. Possibilitando o acesso às informações sobre os fatos políticos do País reencontramos nossa história, formamos nossa identidade  e damos mais um passo para construir a nação que sonhamos: democrática, plural, mais justa e livre."

Até aqui a apresentação da Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff.
 

O site terá por objetivo, "estimular pesquisas, na perspectiva da história, da sociologia, da antropologia, da ciência política e do direito, promover amplo acesso às fontes de informação e de conhecimento assim sistematizadas e contribuir para o debate de natureza acadêmica e política sobre o período."

Fonte:  Site da Presidência da República

O sacerdote e os livros

 

 

A mídia esqueceu Dom Paulo

 

Por Deonísio da Silva em 31/3/2009

“A técnica do livro em São Jerônimo”, de Paulo Evaristo Arns, Editora Cosac Naify, São Paulo, 2009.

Figura tão importante na luta contra o golpe de 1964, que em 1º de abril completa 45 anos, e nas batalhas travadas contra a tortura, a censura e pela redemocratização do Brasil, Dom Paulo Evaristo Arns anda esquecido da mídia. Doente, está recolhido há alguns anos.

Não tivemos tempo, no calor daquelas horas, dada a urgência da práxis política, de apreciar o seu trabalho intelectual. É oportuno lembrar a tese de doutor em Letras, que ele defendeu na Sorbonne, em francês, publicada em português em 1993, pela Imago. Estava há vários lustros fora do comércio e das livrarias e, por iniciativa da editora Cosac Naify, voltou. Intitula-se A técnica do livro em São Jerônimo.

Tal como hoje, quando se impõe o impasse entre o papel e o eletrônico, ao tempo de São Jerônimo, que nasceu em 347 e morreu em 419 ou 420, o papiro dava mostras de esgotamento, pois já era difícil encontrá-lo, principalmente no deserto, onde vivia o tradutor da Bíblia para o latim. Notemos que, naquela na época, sem manuscrito não havia autores nem leitores.

Desvendando o modo de produção do livro, Dom Paulo mostra-se exímio filólogo, detendo-se nas raízes etimológicas das palavras, como já começa a fazer à pág. 22, quando explica por que razão o latim charta, papel ou couro, do grego chartes, folha de papyros, papiro, não designa a epistula, carta.

Charta é o meio utilizado, papiro ou couro; epistula designa o conteúdo. A História fez com que charta tomasse o lugar de epistula, a ponto de, no português, as próprias epístolas dos apóstolos serem denominadas cartas.

 

O pergaminho e o papiro

Mais tarde, para fazer breves anotações, Jerônimo usará o diminutivo chartula, designando os pequenos pedaços de papel onde escrevia idéias gerais que depois seriam desenvolvidas. A melhor tradução para chartula seria fichinha, e não cartinha. A palavra chartae, plural de charta, aparece também como arquivo quando ele relata que o imperador Teodósio I mandou matar o cônsul Hesíquio. Seu crime? Subornar um taquígrafo.

Já a schedula, folha, é a folha de couro ou a casca de árvore onde o taquígrafo realiza as transcrições, compondo o rascunho, que serão corrigidas antes de serem fixadas no manuscrito.

Rascunho é palavra de étimo espanhol. Em latim, essas anotações, correções e emendas eram conhecidas como schedulae, plural de schedula, assim definida como emendatur (a ser emendado). Scheda virou cédula no português e compõe também o étimo do inglês schedule, lista, programa, relação, horário etc. Portanto, explica, didático, Dom Paulo: "Primeiro a palavra charta significa folha; depois pode significar fichinha ou rascunho; e, enfim, no plural, arquivos."

Foi graças a São Jerônimo e seus colegas, que escreviam em latim, que o pergaminho venceu o papiro. Os monges sabiam que seus escritos não eram efêmeros. Por isso, preferiam o pergaminho ao papiro, mais elegante, porém facilmente rasgável, ao contrário do pergaminho, organizado em códices, e não em rolos.

 

Os caminhos da escrita

Os copistas ensejavam roubos, subornos e muita confusão. Santo Agostinho e São Jerônimo brigaram feio porque um texto do segundo, discordando do primeiro, veio a público antes que chegasse ao destinatário. O público, que nesta época era composto de algumas dezenas de pessoas, leu bem antes de Agostinho as discordâncias de Jerônimo. Foi um dos primeiros furos.

Furo, antes de designar notícia dada em primeira mão, indicava medida tipográfica (18,044 mm) equivalente a quatro cíceros. O cícero, de 4,512 mm, tem este nome porque foi o caracter utilizado em 1469 na edição de De Oratore, de Cícero, impressa por Johann Schoffer, neto de Johann Fust. Seu avô, advogado, ourives, agiota e impressor, financiou Johannes Gutenberg, a quem executou judicialmente por dívidas, levando o inventor à falência, enquanto ele ganhava muito dinheiro com a genialidade do outro.

Também a remuneração oferece algumas luzes. O imperador Diocleciano fixa o salário do professor de retórica em 250 denários. A palavra dinheiro veio do latim denarium, moeda de prata que valia dez asses. O asse era de cobre. Um professor de línguas recebia 200 denários. Um taquígrafo, 75 denários, e um mestre de caligrafia, 50 denários.

Liber, livro, designa a película entre a madeira e a casca das árvores, e livrarium é aquele que faz as transcrições, chamado também de scriptor, redator, escrivão, origem das palavras portuguesas escritor e escritório, de significados tão diversos! Escritor como autor virá talvez com mais força de subscriptor, aquele que ao subscrever uma obra, a autentica, declarando-se autor, de auctor, do verbo agere, criar, fazer.

Para todos aqueles que estão interessados em desvendar e refazer os caminhos do livro e da escrita, recomendamos com entusiasmo a leitura deste livro de Dom Paulo Evaristo Arns.

 

Fonte: Observatório da Imprensa

Consulta de documentos históricos no CPDOC

Num paradoxo em louvar-se a desmemória, eis que o resgate da Memória Histórica se faz mister para os passos futuros de uma nação. Como caminhar e crescer se um povo não conhece por onde se caminhou antes e quais foram as consequências dos passos?

É por isso que achei um trabalho bastante interessante o que a Fundação Getúlio Vargas está disponibilizando através do endereço www.cpdoc.fgv.br, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) onde estão disponibilizadas duas novas obras para download: “A república na velha província”, de Marieta de Moraes Ferreira (Org.) e “As instituições brasileiras da era Vargas”, de Maria Celina DAraujo (Org.).

O site também contém artigos sobre temas da atualidade e da área de Humanas, além de acervos inteiramente digitalizados de personalidades históricas – um projeto em parceria com o banco Real, de preservação e difusão dos conteúdos do CPDOC. Já estão abertas à consulta os documentos da Era Vargas, os Anos JK, Ernesto Geisel, Anísio Teixeira e, mais recentemente divulgados, os arquivos de João Goulart.

O CPDOC abriga um acervo de mais de 1 milhão de documentos e 100 mil fotografias que podem ser conhecidos através da opção Consulta no Accessus, no menu ao lado. Accessus é um sistema de busca munido de diversos filtros de pesquisa que fornece detalhada descrição e visualização de cada unidade documental, inclusive das fotografias.

Há, ainda, a possibilidade de uma consulta livre, apenas navegando pelas imagens dos documentos textuais dos arquivos já digitalizados. A escolha entre as duas opções de consulta dependerá do interesse de cada usuário. Arquivos de consulta livre:

Arquivos de Getulio Vargas, Ernesto Geisel, João Goulart, Anísio Teixeira, Juarez Távora, Fernando Setembrino de Carvalho, da Igreja Positivista do Brasil (folhetos) e da Revista Cultura Política.

Interessante tanto para os curiosos quanto para os estudiosos e hitoriadores, num remonte de importante ambiente de nossa história recente.

Fonte: FGV / CPDOC

O Santo Rebelde

Já assistiu? Eu ainda não! Mas vale a pena sem dúvida, pois D. Hélder era uma pessoa mais que cativante.  Eu cheguei  a compor um irterlúdio musical a partir um texto  que ele escreveu, mas infelizmente já não era possível falar com ele, pois, na época, já se encontrava muito doente.  Uma pena que este filme-documentário sobre Dom Hélder Camara (falecido em 1999), tenha sido exibido em estreito circuito e por tão curto tempo. Foram feitas poucas cópias por questões de orçamento, o que impediu por exemplo um real “lançamento nacional”. Um grande abraço D. Hélder!!

“Dom Hélder Câmara: O Santo Rebelde”

(trailler abaixo de 2:18min -filme completo: 74min.)
Direção: Erika Bauer
Produção: Andréa Glória
Música:Marcello Bernardi
Fotografia: André Carvalheira
Edição: Sérgio Raposo e Liloye Boubli

Existem aqueles que passam por essa vida e não passam despercebidos. Deixam muito de si, apontam a direção de forma ousada e cativante. Quem conheceu D. Hélder não o esquece. Eis que ainda hoje nos oferece momentos (aos crentes e não crentes) de reflexão da práxis da vida. Porém, como é meio atemporal, talvez ressoe futuramente por recantos onde se tenham ouvidos ao menos para ouvir. Retrata um pouco de sua participação na criação da CNBB, suas ações durante a ditadura militar, suas viagens onde palestrava sobre Justiça e Paz, além de relatos de amigos. Vale a pena pegar na locadora.

Guto Santos