Profissão Perigo: Aluno quebra os braços e 6 dentes de professora

Cada vez mais notícias desse tipo são recorrentes no noticiário. Já foi tempo em que os alunos tinham algum tipo de respeito pelo professor e exercer essa profissão era um sinônimo de status.

Os tempos parecem difíceis, vale conferir o comportamento e vocabulário de alguns grupos de alunos pelas ruas e transporte público.

"Uma professora de uma escola técnica em Porto Alegre (RS) teve os dois braços e seis dentes quebrados após ser espancada por um aluno do curso de enfermagem que ficou revoltado por ter tirado uma nota baixa. O caso ocorreu na última terça-feira.

Após tomar conhecimento de sua nota, o rapaz utilizou uma cadeira de ferro para agredir a professora, de 57 anos. Os braços dela foram atingidos no momento em que tentou se defender. Mesmo depois de ela ter desmaiado, o estudante, que é instrutor de artes marciais, desferiu socos e chutes, quebrando os dentes da professora. Ao perceber a chegada de duas professoras, o aluno decidiu fugir.

O delegado Fernando Soares, que investiga o caso, disse que um segurança e o porteiro do prédio ainda tentaram deter o agressor mas não conseguiram. O estudante, de 25 anos, ainda não foi localizado pela polícia."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vale ressaltar que o agressor (o criminoso) não é menor de idade e que em sua fúria transparece um tipo de comportamento que certamente não deve ser novidade, pela idade (25). Eu não saberia dizer que tal covardia faz uma pessoa recuperável para conviver em sociedade… a esperança é a última que morre… e ela está se esvaindo.

 

Triste, lamentável, covarde e revoltante!

 

 

Fonte:

Yahoo Notícias
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/12112010/25/manchetes-aluno-quebra-bracos-6-dentes.html

R7 Videos
http://noticias.r7.com/videos/aluno-quebra-os-dois-bracos-da-professora-de-quase-60-anos-no-rio-grande-do-sul/idmedia/b765ab147252beeba91a472f876aa536-1.html

Escritores da Liberdade (Freedow Writers)

Mesmo não sendo uma “novidade”, mesmo não sendo nenhum lançamento, penso que vale a pena comprar o livro e ver o filme, mas não esqueça: Liberte-se!!  :)

 

freedomdiary

 

O filme “Escritores da Liberdade”, baseado no livro de mesmo título (que reúne textos e poemas de seus alunos do ensino médio, de uma escola em Long Beach, Califórnia), escrito pelos Escritores da Liberdade e Erin Gruwell. Narra a trajetória da professora de inglês, Erin Gruwell, vivida no filme pela atriz Hilary Swank. Ela vive Erin, a professora idealista que provoca e intermedia uma mudança no mundo dos seus alunos quando guerras de gangues raciais estavam em alta graças à expansão do hip hop pela MTV. E assim, utilizando de métodos nada convencionais, a professora leva jogos e dinâmicas de inclusão, passeios fora da cidade, e leitura de livros alternativos, despertando assim o interesse pelo estudo e derrubando aos poucos, barreiras de preconceito entre eles. Eis uma verdadeira pedagogia libertadora, penso que o professor Paulo Freire ficaria muito feliz após assistir esse filme.

 

 

Assisti ao filme depois de uma breve dica, como gosto de conferir filmes, fui conferir e gostei bastante. É um filme honesto e simples, boas cenas e bom roteiro. Especial, sem ter efeitos especiais e a tradicional ‘pirotecnia’ americana. O filme é um daqueles que inspiram e emocionam, sem ter o apelo piegas do ufanismo estadunidense… a professora Erin Gruwell realmente é "gente que faz". É uma boa, simples adaptação e bem cuidada adaptação (que não precisava mesmo de nada além do que foi feito), que pega carona na tradição de filmar "baseado em fatos reais". Alguns ex-alunos inclusive participam do filme como atores:

- Scott Glenn (Steve Gruwell)
- Imelda Staunton (Margaret Campbell)
- Patrick Dempsey (Scotty Casey)
- Mario (Andre)
- April Lee Hernandez (Eva)
- Robert Wisdom (Dr. Carl Cohn)
- Jonh Benjamin Hickey
- Pat Carroll (Miep Gies)
- Hunter Parrish (Ben)

Erin Gruwell e os Escritores da Liberdade - 2006

(Erin e os Escritores da Liberdade)

Algumas cenas do filme tocaram-me fundo de uma forma diferente de quando assisti, por exemplo, "Ao Mestre com Carinho", com o Sidney Potier e "Sociedade dos Poetas Mortos", com o Robin Williams. É um outro "tipo" de filme, que lembra-me um pouco a frase que gosto do padre Champagnat, fundador dos irmãos maristas, que se refere a "amar o que o iniciante ama…". Dar importância (verdadeira) ao o que é vital para o outro a fim de conseguir adentrar "honestamente", no universo do próximo. Deu uma pontinha de vontade de voltar para dentro de uma sala de aula…

 

Erin - filme

O intuito desta ação era fazer com que os alunos – em sua maioria envolvidos em gangues e considerados sem futuro pela sociedade – escrevessem sobre suas experiências de viverem em guerra e assim, terem a chance de poder mudar o final da história, reconhecendo que são capazes de fazerem o que querem e não o que lhes foram imposto.

 

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA (aluna dá seu testemunho de inclusão)

 

De tudo isso várias aberturas se deram, inclusive originou um novo relato escrito, desta vez com dezenas de outros educadores que foram selecionados para contribuir com suas histórias para um novo livro:  “Esperança no Ensino” (Teaching Hope: Stories from the Freedom Writer Teachers and Erin Gruwell). Lançado pela Fundação "Freedom Writers", este livro reúne relatos e ensaios sobre as experiências dos professores e sua luta para alcançar seus alunos todos os dias. "É realmente um livro sobre a perseverança nesta profissão". Sem dúvida um belo fruto da perseverança. A "Freedom Writers Foundation" foi criada por Erin Gruwell, que iniciou a fundação para ensinar métodos de ensino para os educadores a fim de melhorar o desempenho acadêmico de seus estudantes.

Erin - teach1

 

 

Erin e os escritores (Erin e alguns dos Escritores da Liberdade)

 

 

 

erin-gruwell-color-2005-photoshop(Erin Gruwell)

 

 

 

Freedom-Writers (Erin, Hilary Swank e os Escritores da Liberdade)

 

Já em nossas terras tupiniquins onde o papel do professor tem sido extremamente diminuído no decorrer destas décadas, resta-nos depararmos com os extremos … caríssimas escolas particulares bilingues de um lado e as escolas estaduais e municipais sucateadas de outro. Triste situação que passa a educação em nosso país. Porém é preciso que não se perca a tenacidade e a esperança, pois somente através dela é possível a formação de pessoas com senso de civilidade, de cidadania, abertas assim aos valores mais altos que a sociedade brasileira tanto necessita em todos os níveis.

 

Enfim, é um filme que deveria ser assistido por todos aqueles que se importam com o futuro da educação e o amor do ato de mediar o conhecimento e transmitir valores humanizadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para continuar a reflexão:

- A Esperança na Educação da Boa Vontade

- Educação: Juventude e Drogas

- A pedagogia é uma jabuticaba?

- “Conhece-te a ti mesmo” – Eu e o Espelho

- The Blind Side – O Lado Cego (‘Um Sonho Possível’)

EDUCAÇÃO – Juventude e Drogas

 

Autor de vários livros, também apresenta na Rede Vida, o programa “Quem ama, educa”. O doutor Içami Tiba é médico pela Faculdade de Medicina da USP. Psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Professor-Supervisor de Psicodrama de Adolescentes pela Federação Brasileira de Psicodrama. Membro da Equipe Técnica da Associação Parceria Contra Drogas – APCD. Membro Eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho “Via de Acesso”. Professor de diversos cursos e workshops no Brasil e no Exterior. Criou a Teoria da Integração Relacional, na qual se baseiam suas consultas, workshops, palestras, livros e vídeos. Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração – o primeiro nacional. 1º- lugar: Sigmund Freud; 2º- lugar: Gustav Jung; 3º- lugar: Içami Tiba.

 

Pode-se concordar ou discordar, mas o importante é pensar e reagir adequadamente diante de uma tendência a “aceitação” passiva de tudo que é oferecido de maneira “simpática e verdadeira”.

 

Trechos da palestra ministrada pelo Dr. Içami Tiba, Psiquiatra, em Curitiba, 23/07/2008:

- A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

- O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som, tv, etc.

- Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

- Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

- Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem.

- A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinqüente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

- A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

- Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

- As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconseqüente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.

- A gravidez (precoce nos adolescentes) é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

- Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve ‘abandoná-lo’.

- A mãe é incompetente para ‘abandonar’ o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

- O homem não gosta quando a mulher vem perguntar: ‘E aí, como foi o seu dia?’. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia.

- Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

- Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

- Não pode prometer presente pelo sucesso, que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

- Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

- Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas.

- Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.

- Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem ‘vidas’, e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

- Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

- Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. “Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador”. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.

- O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

- Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

- Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

- Dinheiro ‘a rodo’ para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.

 

“Você não pode evitar que os problemas batam à sua porta, mas não há necessidade de oferecer-lhes uma cadeira” (Joseph Joubert)

 

 

Aqui uma palestra proferida em Uberaba (27/11/2007) sobre educação, juventude e drogas (abordagem de drogas, educação de valores, futuros consumidores em potencial, etc.). Vale a pena assistir:

 

(parte 1)

(parte 2)

(parte 3)

 

(parte 4)

 

(parte 5)

(parte 6)

(parte 7)

( parte 8 )

(parte 9)

(parte 10)

 

 

Fonte:

- Site oficial: http://www.tiba.com.br/index.asp

- Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Içami_Tiba

- Youtube

A pedagogia é uma jabuticaba?

 

A Escola pode mudar a trajetória de vida das populações mais pobres. Não se trata de afirmação vazia. A evidência científica demonstra isso. Mas essa é ainda uma realidade de poucos países, notadamente Coreia, Hungria e especialmente Cuba. Qual o segredo? Nenhum. A pedagogia não pode ser uma jabuticaba brasileira. Basta copiar o que fazem as boas Escolas: programas de ensino claros, professores bem formados antes de entrar para o magistério, gestão Escolar eficiente e uso de pedagogias adequadas.

O Brasil recebe, agora em agosto, um expert internacional para discutir com nossos especialistas a importância da pedagogia. Trata-se do professor Martin Carnoy, que, sob o patrocínio da Fundação Lemann, lança aqui o livro “A Vantagem Acadêmica de Cuba”, em que compara a eficácia do ensino naquele país com a ineficácia de Chile e Brasil.

Também em agosto um ciclo de seminários trará a seis capitais do país renomados especialistas como Clermont Gauthier (Universidade de Laval, Canadá), Roger Beard (Universidade de Londres), José Morais (Universidade de Bruxelas) e Nuno Crato (Academia Portuguesa de Matemática) para debater as pedagogias eficazes. O tema volta à cena e é um convite à reflexão.

Quem faz diferença, professor ou pedagogia? A resposta: os dois. A pedagogia sozinha não faz nada. O professor sem pedagogia também não. Bom professor é o que usa as pedagogias adequadas. Resta saber quais são essas pedagogias adequadas.

Nos últimos 30 anos, os tigres asiáticos e os países desenvolvidos descobriram que a qualidade da Educação é o seu trunfo na economia global. Isso tem suscitado inúmeros avanços no conhecimento sobre o que funciona em Educação. Métodos de pesquisa mais rigorosos têm propiciado conhecimentos cada vez mais consistentes e seguros nesse campo.

O que não funciona é quase tudo o que se apregoa nas faculdades de Educação brasileiras. Os resultados disso são conhecidos. Confundimos pedagogia tradicional com tradição pedagógica e, usando esse pretexto, praticamente abolimos as pedagogias eficazes da sala de aula.

Mas, afinal, o que funciona? Quais as pedagogias eficazes? O leitor vai se surpreender com a falta de novidades.

Primeiro, precisamos ter objetivos claros sobre o que ensinar. Antigamente isso se chamava programa de ensino. Nos países desenvolvidos ainda responde por esse nome.

Segundo, devemos ter metas ambiciosas, estabelecidas por Escolas e professores. Nos países da OCDE, mais de 80% dos alunos atingem as metas mínimas ao final do ensino fundamental.

Terceiro, o ensino deve ser organizado, o professor apresenta a matéria, explica, serve de modelo, dá exemplos, interage com os alunos. Revisões e a avaliação são frequentes -normalmente é semanal, no máximo, mensal. O dever de casa é regular -de todas, essa é a pedagogia mais eficaz.

O resto são detalhes específicos de determinadas disciplinas. Alguns exemplos: o currículo em espiral, que repete um pouco de tudo a cada ano, pode ser eficaz no ensino da língua, mas é comprovadamente desastroso em matemática: é preciso saber diminuir antes de aprender a dividir, por exemplo. A contextualização excessiva em matemática, que pode servir para motivar, dificulta o processo de transferência de aprendizagem: o ensino mais eficaz é o que leva rapidamente à abstração.

A superaprendizagem é fundamental -por isso os bons alunos sabem a tabuada de cor e resolvem muitos problemas.

Em ciências, a aprendizagem sólida dos conceitos e a capacidade de relacioná-los são mais importantes do que usar ou não laboratórios ou atividades práticas.

Saber fazer perguntas é mais significativo do que conhecer a resposta correta, mas fazer boas perguntas exige capacidade de observar e a orientação sobre o que e como observar.

Na alfabetização, métodos fônicos são superiores aos demais. Na leitura, é essencial adquirir e desenvolver fluência para poder compreender o que se lê. Dominar a ortografia e a sintaxe libera o cérebro para cuidar do sentido do que se escreve. No ensino da língua, o ensino da gramática no contexto da sintaxe da frase é mais eficaz do que o ensino de regras de aplicação genérica. E por aí vai.

Nada disso, é claro, funciona sem um professor que conheça o conteúdo, tenha o domínio da turma e a capacidade de ensinar de maneira organizada. Assegurado o conhecimento do conteúdo, o professor é tão bom quanto os métodos pedagógicos que domina. Portanto, o resgate do professor passa, necessariamente, pelo resgate da tradição pedagógica.

A evidência científica em todas as áreas de ensino é francamente favorável ao modelo instrutivista em contraposição ao modelo construtivista.

 

JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA
(psicólogo, 62, doutor em Educação, é presidente do Instituto Alfa e Beto. Foi secretário-executivo do Ministério da Educação – 1995).

Fonte: Notícias da Rede – Central de notícias da Educação no DF

Peixonauta

 

O desenho animado, Peixonauta (Fishtronaut no exterior), estreiou em abril de 2009 e parece já ter ganho o público infantil na tv paga. As propostas da animação são bem interessantes e criativas, indo ao extremo contrário das chuva de lutas, chutes e tapas de tantas badaladas séries infanto-juvenis. "Peixonauta", uma coprodução da TV PinGuim com o Discovery Channel, é a primeira ação do gênero do canal em animação com uma produtora brasileira.

Peixonauta

Será que finalmente virá por aí uma boa leva de criativos desenhos infantis??? E ainda mais brasileiros… e ainda mais que buscam educar para o meio ambiente, ecologia e cidadania?Numa trilha sonora que trabalha ritmos, elementos e instrumentos tipicamente brasileiros? Dizem até que o programa já tem previsto um longa-metragem a ser lançado em 2010.

Difícil acreditar, não? Então vamos torcer para que essa trajetória se mantenha e se firme como uma boa opção entre as crianças e pais zelosos e conscientes. Parece ser uma ótima opção!

A audiência do desenho animado brasileiro "Peixonauta" surpreendeu o Discovery Kids, canal infantil pago. "Peixonauta" foi a atração mais vista por crianças de quatro a 11 anos no horário das 19h30 às 20h, na semana de estreia (20 a 24 de abril). Geralmente, novos programas demoram um certo tempo para conquistar o público infantil.

Dividida em 52 episódios de 11 minutos apresentados em 26 blocos, "Peixonauta" procura trabalhar conceitos ambientais, trabalho em equipe e a música é um ponto forte da animação. A série já foi vendida para para países como Turquia, uma operadora de TV que trabalha no território da ex-Iugoslávia (Sérvia, Croácia, Kosovo, Montenegro, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia e Macedônia), e para a Al Jazeera, que deve dublar o desenho em arábe.

A TV PinGüim criou também as séries infantis “Rita” e “De onde vem?” e “Entre Pais e Filhos”, veiculadas no Brasil, pela TV cultura e pelo Canal Futura e pela TV Escola. Para o canal a cabo Cartoon Network realizaram diversas produções, entre elas, vinhetas para o Carnaval e animações de marionetes e massinha com personagens do canal.

Aqui o Flick de uma das roteiristas.

 

Fonte: Bol notícias, Revista In Online, Diskovery Kids Brasil (os personagens)

A maior sabotagem da classe política

Professor – Profissão Perigo

Já conversei com colegas de magistério, alguns possuem uma visão de realidade estreita e acomodada, a maioria lamenta – como eu – a falta de espaço para o exercício pleno e digno da profissão que ainda alimenta um forte ideal nas pessoas.

Passando pelo blog Brasil contra a Pedofilia, vi um ótimo post sobre uma série de reportagens (de março de 2009) feitas pelo Jornal da Record sobre a educação no Brasil, no molde do que os telejornais, como o Jornal Nacional, Jornal Hoje e o RJTV, por exemplo, atualmente vem fazendo.

São reportagens com verdadeiros heróis em amplo sentido, imagem que encontra oposição na pessoa e imagem de toda essa atual classe política, verdadeira corja de empreguismo público, na acomodação e covardia de viver e se sacrificar pelo bem comum da sociedade, pois para isso é – ou deveria ser – o exercício de um mandato público.

Para quem se interessar, são boas as reportagens. Boa reflexão.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Youtube – (postagem anterior blog Brasil contra a Pedofilia)

Escolas matam a criatividade?

 

Palestra bem humorada e com conteúdo profundo e inteligente, ministrada num congresso em fevereiro de 2006, em Monterey, California, com o professor doutor, perito em criatividade, Ken Robinson (que trabalha com o desenvolvimento da criatividade, inovação e recursos humanos e defende uma reformulação do sistema escolar. Possui também extensa publicação nas áreas citadas e também na inovação, cultura e reconhecimento de outros tipos de inteligência).

Boas (e importantes) idéias para mim não possuem fronteira, de idioma, geografia ou cultura. Nestes vídeos (legendados em portugues), vale a pena assistir e refletir sobre o quanto de sensato há nas palavras deste professor. Se já seria válido ouvir uma opinião sobre uma determinada realidade educacional, podemos nos surpreender o quanto estas realidades podem possuir inúmeros pontos em comum. Fica a sugestão a alunos e professores.

 

 

O modelo padrão e padronizador de escola, aluno e professor não estaria a formar os limites rasos de um sistema educacional? Vitoriosos e corretos são só os que respondem e correspondem aos estímulos sócio-pedagógicos vigentes? Seria este o molde atual dos profissionais que se encaixam no mercado de trabalho verborrágico em sua erudição prolixa? Ou os que são bem remunerados? Bem, se essa é a régua que mede o sucesso, então as ideias do professor ainda tem muito o que rodar e debater mundo afora.

 

Uma visão otimista das idéias da palestra seria toda uma geração que passaria por um "corredor vocacional" totalmente diferente onde o despertar para o que realmente gostassem se desse em moldes otimistas, alargando os horizontes e os padadigmas.

Quais as repercussões disto na sociedade? Não saberia por onde iniciar a listagem, mas creio que os efeitos deste "risco" seriam benéficos. O que acham?

 

 

Fonte: www.ted.com e Youtube

Malba Tahan

Talvez nenhum professor tenha marcado tanto em criatividade e genialidade dentro de sala de aula e fora dela, quanto o professor Júlio César. Sem dúvida um talento que teria que transbordar e ressoar fora dos limites tradicionais da sala de aula e escola. Eis um exemplo do ritmo inventivo que poderíamos ser protagonistas caso a educação em nosso país fosse tratado como prioridade fundamental. A seguir um pouco de sua vida narrada na reportagem de Luiza Villamea e Bibliografia da Revista Nova Escola de setembro de 1995.


O genial ator da sala de aula

Júlio César de Mello e Souza nasceu há cem anos e celebrizou-se como Malba Tahan. Foi um caso raro de professor que ficou quase tão famoso quanto um craque do futebol. Em classe, lembrava um ator empenhado em cativar a platéia. Escolheu a mais temida das disciplinas, a Matemática. Criou uma didática própria e divertida, até hoje viva e respeitada. Ainda está para nascer outro igual.

Exímio contador de histórias, o escritor árabe Malba Tahan nasceu em 1885 na aldeia de Muzalit, Península Arábica, perto da cidade de Meca, um dos lugares santos da religião muçulmana, o islamismo. A convite do emir Abd el-Azziz ben Ibrahim, assumiu o cargo de queimaçã (prefeito) da cidade árabe de El-Medina. Estudou no Cairo e em Constantinopla. Aos 27 anos, recebeu grande herança do pai e iniciou uma longa viagem pelo Japão, Rússia e Índia. Morreu em 1921, lutando pela libertação de uma tribo na Arábia Central.

A melhor prova de que Malba Tahan foi um magnífico criador de enredos é a própria biografia de Malba Tahan. Na verdade, esse personagem das areias do deserto nunca existiu. Foi inventando por outro Malba Tahan, que de certo modo também não existiu efetivamente: tratava-se apenas do nome de fantasia, o pseudônimo, sob o qual assinava suas obras o genial professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista brasileiro Júlio César de Mello e Souza. Na vida real, Júlio nunca viu uma caravana atravessar um deserto. As areias mais quentes que pisou foram as das praias do Rio de Janeiro, onde nasceu em 6 de maio de 1895. Júlio César era assim, um tipo possuído por incontrolável imaginação. Precisava apenas inventar um pseudônimo, mas aproveitava a ocasião e criava um personagem inteiro.

Problemas das 1001 Noites

Malba Tahan e Júlio César formaram uma dupla de criação que produziu 69 livros de contos e 51 de Matemática. Mais de dois milhões de exemplares já foram vendidos. A obra mais famosa, O Homem que Calculava, está na 38º edição.

Com o seu pseudônimo, Júlio César propunha problemas de Aritmética e Álgebra com a mesma leveza e encanto dos contos das Mil e Uma Noites. Com sua identidade real, foi um criativo e ousado professor, que estava muito além do ensino exclusivamente teórico e expositivo da sua época, do qual foi um feroz crítico. “O professor de Matemática em geral é um sádico”, acusava. “Ele sente prazer em complicar tudo.”

Um sucesso feito de trabalho duro, lances de esperteza e muita imaginação

Um dos maiores incentivadores da carreira de Júlio César de Mello e Souza foi o seu pai, João de Deus de Mello e Souza. Ou, explicando melhor, a modesta mesada que seu pai lhe dava nos tempos de colégio. Funcionário do Ministério da Justiça e com uma escadinha de oito filhos para criar, João de Deus não podia fazer milagres. O dinheiro era contadinho. Para comprar uma barra de chocolate, por exemplo, o jovem Júlio César economizava na condução durante o final de semana.

Redações para vender

Nessa época Júlio descobriu a mina de ouro que tinha nas mãos. Um dia, um colega de classe mais endinheirado, mas fraco em escrita, pediu-lhe uma redação que desprezara, Esperança. Em troca, deu ao autor um selo do Chile e uma pena de escrever nova em folha. Era o início de um lucrativo negócio. Depois do episódio, para cada tema lançado pelo professor, o criativo Júlio César fazia quatro, cinco redações e as vendia a 400 réis cada.

As fumaças do gênio já começavam a desenhar o futuro Malba Tahan. A família já conhecia seu gosto pela literatura, mas tinha suas dúvidas:.. “Quando compunha uma historieta, era certo o Júlio criar personagens em excesso, muitos dos quais não tinham papel nenhum a desempenhar, dando-lhes nomes absurdos, como Mardukbarian, Protocholóski, Orônsio”, conta o irmão mais velho do escritor, João Batista, no seu livro Meninos de Queluz, em que lembra a sua infância e a de Júlio César em Queluz, interior de São Paulo.

Mais velho, Júlio César aprendeu a lidar com o descrédito. Quando tinha 23 anos, e era colaborador do jornal carioca O lmparcial, entregou a um editor cinco contos que escrevera. A [papelada ficou jogada vários dias sobre uma mesa da redação. Sem fazer nenhum comentário, Júlio César pegou o trabalho de volta. No dia seguinte, reapareceu no jornal. Trazia os mesmos contos, mas com outra autoria. Em vez de J.C. de Mello e Souza, assinava R.S. Slade, um fictício escritor americano. Entregou os contos novamente ao editor, dizendo que acabara de traduzi-los e que faziam grande sucesso em Nova York. O primeiro deles, A Vingança do Judeu, foi publicado já no dia seguinte – e na primeira página. Os outros quatro tiveram o mesmo destaque.

Marechal de pijama

Júlio César aprendeu a lição e decidiu que iria virar Malba Tahan. Nos sete anos seguintes, mergulhou nos estudos sobre a cultura e a língua árabes. Em 1925, decidiu que estava preparado. Procurou o dono do jornal carioca A Noite, Irineu Marinho, fundador da empresa que se tornaria as atuais Organizações Globo. Marinho gostou da idéia. Contos de Mil e Uma Noites foi o primeiro de uma série de escritos de Malba Tahan para o jornal. Detalhista, Júlio César providenciou até mesmo um tradutor fictício. Os livros de Malba Tahan vinham sempre com a “tradução e notas do prof. Breno Alencar Bianco”.

Júlio César viveu sem se dar conta do patrimônio cultural que construíra. Em um depoimento ao Museu da Imagem e do Som, declarou-se profundamente arrependido de não ter seguido a carreira militar, como queria seu pai. “Eu estaria hoje marechal, calmamente de pijama, em casa”, imaginava. “Não precisaria estar me virando na vida.”

O que Malba fazia fora dos livros e aulas

Desde menino, Júlio César de Mello e Souza tinha suas manias. Algumas completamente malucas, como manter uma coleção de sapos vivos. Quando vivia em Queluz, às margens do Rio Paraíba do Sul, Júlio César chegou a juntar 50 sapos no quintal da sua casa. Um dos animais, o Monsenhor, costumava acompanhá-lo, aos saltos, por suas andanças na região. Adulto, o professor Júlio César continuou a coleção, dessa vez com exemplares de madeira, louça, metal, jade e cristal.

Outras preocupações eram bem mais sérias. Ele sempre se entregou de corpo e alma à causa das vítimas da lepra, os hansenianos. De cabeça aberta e sem preconceitos, Júlio César de Mello e Souza editou durante 10 anos a revista Damião, que pregava o reajustamento social desses doentes. A dedicação de Júlio César era tão grande que, no seu testamento, pediu que lessem, à beira do seu túmulo, uma última mensagem de solidariedade aos hansenianos.

MUDANÇA NA IDENTIDADE

Malba Tahan, em árabe, quer dizer o “Moleiro de Malba”. Malba é um oásis e Tahan, o sobrenome de uma aluna, Maria Zechsuk Tahan. Por deferência do presidente Getúlio Vargas, o professor (ao lado, em aula) pode usar o pseudônimo na carteira de identidade. Ele gostava de vistar os trabalhos escolares carimbando o “Malba Tahan” escrito em caracteres árabes.

Um professor que andava muito mais rápido do que o seu tempo

Malba Tahan, o gênio da Matemática, foi um desastre completo nos números quando era o aluno Júlio César de Mello e Souza, do Colégio Pedro II, no Rio. Nessa época, seu boletim registrou em vermelho uma nota dois, em uma sabatina de Álgebra, e raspou no cinco, em uma prova de Aritmética.

Qual seria a causa de um desempenho tão fraco para alguém que viria a se apaixonar pela Matemática? Com certeza, Júlio César não gostava da didática da época, que se resumia a cansativas exposições orais. Mal-humorado, classificou-a mais tarde como O “detestável método da salivação”.

Nas palestras que dava – foram mais de 2000 ao longo da sua vida , nas aulas para normalistas ou nos livros que escreveu, Júlio César defendia o uso dos jogos nas aulas de Matemática. Enquanto os outros professores usavam apenas o quadro-negro e a linguagem oral, ele recorria à criatividade, ao estudo dirigido e à manipulação de objetos. Suas aulas eram movimentadas e divertidas. Defendia a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas.

Sem zeros e sem bombas

“Ele estava muito além de seu tempo’, afirma o respeitado matemático e professor paulista Antônio José Lopes Bigode, autoridade em Malba Tahan. “O resgate da sua didática pode revolucionar o ensino”, acredita. “Ainda hoje, o ensino tradicional da Matemática é responsável por metade das repetências.”

Em sala de aula, Júlio César não dava zeros, nem reprovava. “Por que dar zero, se há tantos números?”, dizia. “Dar zero é uma tolice:’ O professor encarregava os melhores da turma de ajudar os mais fracos. “Em junho, julho, estavam todos na média’, garantiu no depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

“Hoje, as atividades lúdicas são muito valorizadas, mas naquela época eram vistas como uma heresia”, observa o professor de Matemática Sérgio Lorenzato, de 58 anos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Lorenzato, que foi aluno de Júlio César, guarda como uma relíquia o caderno que usou para anotar as aulas. “Ele dizia que o caderno tinha de refletir a vida do aluno”, lembra Lorenzato. “E estimulava que colássemos em suas folhas gravuras, recortes de revistas e jornais e até provas já corrigidas.”

Carismático, Júlio César encantava os alunos. Mas nem todos se sentiam à vontade com a sua informalidade. “Os tradicionalistas eram absolutamente contrários a Malba Tahan e ao seu interesse pelo cotidiano da Matemática”, explica o editor de livros didáticos da editora Scipione, Valdemar Vello.

Júlio César foi professor de História, Geografia e Física até dedicar-se à Matemática. Sua fama como pedagogo se espalhou e ele era convidado para palestras em todo o país. A última foi em Recife, no dia 18 de junho de 1974, quando falou para normalistas sobre a arte de contar histórias. De volta ao hotel, sentiu-se mal e morreu, provavelmente de enfarte.

Júlio César deixou instruções para seu enterro. Não queria que adotassem luto em sua homenagem. Citando o compositor Noel Rosa, explicou o porquê: “Roupa preta é vaidade/ para quem se veste a rigor/ o meu luto é a saudade/ e a saudade não tem cor”.