Conversations with god

 

Compartilhando a dica de mais um filme que me parece ser interessante, apesar de não ser nenhum lançamento ou novidad (já que é de 2006). Apesar da data, ao menos para mim é novidade e pretendo assistir como se fosse um “lançamento”, pois antes eu nada vi a respeito desse filme. Alguém por acaso já assisitiu?

 

Filme - Conversations With God (2006)

 

Algumas reflexões lançadas pelo filme:

- Você acredita em Deus?
- O que você pensa a respeito de Deus?
- Quer conhecer um história real, bem produzida, que com certeza vai mudar a maneira como você vê o mundo?
- Ou na pior das hipóteses ao final do filme vai fazer com que se sinta alegre, leve, se sentindo uma pessoa melhor e com aquela sensação de quero mais…

 

Sinopse:

“Adaptação do livro de Neale Donald Walsch, que inspirou e mudou a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, Conversando com Deus conta a história de quando, no pior momento de sua vida, Walsch (Henry Czerny), fez a Deus algumas perguntas bem difíceis. Dentro de cada um de nós há uma voz que fala a verdade. As respostas que ele recebeu de Deus se tornaram a base de um livro internacionalmente reconhecido, que já vendeu mais de 7 milhões de cópias em 34 idiomas. O filme narra a jornada de poucas e boas de Walsch que inadvertidamente se tornou um guia espiritual. Um filme que vai mudar a sua vida.”

Quem já assistiu lança mão e desafia a quem ainda não assistiu a ver e não gostar. Será mesmo?  ;-)
Como eu ainda não vi, já o coloquei na minha lista… Parece que vale a pena procurar nas locadoras para assistir nesse feriado. E você já viu? Deixe aqui a sua impressão.

Shalom,
Guto Santos

 

 

 

 

 

Site oficial do filme: (bem bacaninha) em inglês:

-   http://www.cwgthemovie.com/

Esperar vivendo ou vivendo por esperar?

semente

A Esperança é o fermento do amor.” (Santo Agostinho in De bon.vid.20,25)

          Nesse trocadilho proponho e convido a uma reflexão que a frase pode oferecer. Decepção é algo que só acontece a quem vive e vive com esperança e sem receio em sua busca por um amanhã mais pleno, que traga alegrias desconhecidas a serem compartilhadas com alguém especial. Santo Agostinho disse que a "esperança é o fermento do amor", poderíamos também dizer que a procura do amor sem esperança é certeza do bolo ‘solado’ dentro do forno.

          Que sentido então haveria de convidar alguém para dançar? Chamar para sair junto com os amigos ou ir sozinho numa sexta-feira? Ou curtir aquela troca de olhares e deixar a conversa rolar solta por vários assuntos, até mesmo desinteressantes, só para poder escutar aquela pessoa falar e estar junto de nós… Se não existe esperança na tentativa, não se vive esses momentos. E se esses momentos não fazem parte de minha busca, estarei vivendo uma espera(nça) passiva, enterrando talentos na terra e esperando a ação de Deus ao invés de agir juntamente com a graça (que passa?)

 

“A esperança é quando a dor presente nos faz tentar outra vez”.

(Chico Science, 1966-1997)

 

          Eis um dilema… ? Ou Será a mesma coisa?

          Na espiritualidade cristã, fala-se muito em esperar, em aguardar. Mas o que é, e para que serve a esperança? O amor-caridade é a base de qualquer ação daquele que se diz cristão. É o amor mais puro que nosso coração possa espelhar e refletir.

          

          Muitas vezes penso o quão diferente vejo várias das questões levantadas por alguns irmãos e irmãs cristãos. Respeito o ponto de vista e o ponto de sentir de cada um, mas sinceramente creio que possam existir outras formas lícitas de enxergar e viver essa questão. Antes mesmo do final de semana antepassado eu já pensava em algo para partilhar a esse respeito, mas nada estava lá muito definido. Em alguns momentos meditei a postura e atitude do cristão diante do dom gratuito de Deus. E essa postura pode sim ser suplicante, interativa e PARTICIPANTE. São Tomás de Aquino dizia que a graça infinita e perfeitíssima de Deus age na natureza humana, pecadora e limitada.

          "Estas situações reais ocorrem quando duas abordagens são possíveis e defensáveis tecnicamente, existindo dúvidas quanto a adequação moral de cada escolha. Muitas vezes ocorrem falsos dilemas, pois as situações propostas não são equivalentes ou por que existem outras possibilidades, além das duas" colocadas em questão. Muitas vezes uma solução criativa afasta a ocorrência do dilema. Existem maneiras participativas de se viver a esperança cristã.

          Segundo o Dicionário Aurélio, um dilema ocorre quando se utiliza um argumento que coloca o adversário entre duas proposições opostas. Pode ser, igualmente, uma situação embaraçosa com duas saídas difíceis ou penosas. Viver orando novenas na rede da espera ou fazer da vida oração? Os bentianos certamente nos dariam essa pista: Ore et Labore.

           De acordo com Walter Sinnott-Armstrong, 1988, citado por Sottomayor Cardia, dilema moral é qualquer situação na qual simultaneamente: a) há para o agente o dever moral de adotar cada uma das duas alternativas; b) nenhum dever moral é preterido em termos moralmente relevantes; c) o agente não pode adotar conjuntamente as duas alternativas; d) o agente pode adotar separadamente qualquer das duas alternativas.

Um dos dilemas mais conhecidos da literatura universal talvez seja o vivido por Hamlet (ato 3, cena 1):

Ser ou não ser, eis a questão !
Que é mais nobre para o espírito sofrer:
os dardos e flechas de uma sorte ultrajante,
ou tomar armas contra um mar de calamidades
e, resistindo, por-lhes fim ?

Um outro dilema muito citado, especialmente em estudos de desenvolvimento moral, é o Dilema de Heinz, proposto por Kohlberg:

           Uma mulher que estava a morte devido a um tipo de câncer. Uma droga pode salvá-la, uma nova fórmula que um farmacêutico de sua cidade havia desenvolvido. O farmacêutico  está cobrando $2000,00 pelo medicamento, cerca de dez vezes o preço de custo. O marido desta senhora, chamado Heinz, procurou todas as pessoas que conhecia para pedir dinheiro emprestado, mas conseguiu apenas metade da quantia necessária. Ele falou com o farmacêutico que a sua esposa estava morrendo e pediu que lhe vendesse a droga mais barato ou que deixasse para complementar o pagamento posteriormente. Mas o farmacêutico disse "Não!".  O marido ficou desesperado e arrombou a farmácia para roubar a droga para sua esposa. O marido deveria fazer isto? Por que?

          "Segundo Kohlberg, o marido da senhora que estava doente, tinha apenas duas saídas possíveis (dilema): deixar a sua esposa morrer por falta do remédio ou roubar o remédio. Segundo a proposta original o dilema era entre o dever de salvar uma vida e não roubar. Kohlberg propunha que a opção por salvar a vida era superior a de não roubar, e a sua utilização era justificativa ética da autonomia do indivíduo, que estaria situada acima das regras morais e legais. Ele utilizava o  raciocínio de que estes deveres – salvar uma vida e não roubar – são deveres prima facie, e não de deveres absolutos utilizado por Kant. Weston levantou inúmeras outras alternativas a esta situação, retirando-lhe a característica dilemática."

          Muitas vezes leio a "espera" em Deus do cristão como algo que aguardamos deitados na "rede" tomando água de coco, indo às missas dominicais e rezando um pai nosso todos os dias e uma novena de quando em vez. Penso sim, creio e vivo assim, na “espera missionária", que aguarda na esperança, porém inquietamente quer ser co-participante da graça de Deus. E creio que o próprio Senhor deseja nossa participação em sua graça. Recordando mais uma vez Sto. Tomás de Aquino: "A graça age na natureza". Ou seja a forma como nos abrimos, recebemos e "multiplicamos" nossos talentos recebidos é o que faz o resultado e efeito da graça do Senhor em nós. Não me refiro aqui à chamada Graça habitual, aquela cotidiana, que todos (independente de credo) recebemos diariamente, mas a graça santificante na filiação do Senhor.

          Portanto o dilema provisório que proponho é: "Esperar vivendo ou vivendo por esperar?" Mais uma vez Agostinho me envolve em suas reflexões ao dizer que “A vida de um bom cristão é um ato ininterrupto de esperança. Desejando e esperando, amplia a capacidade de tua alma para o tempo da verdade.” (Santo Agostinho in Epist. Joan.5,7)

          Quanto mais uma pessoa é rígida e amargurada, tanto mais as pessoas vão se afastando dela. Mas, ao contrário, quando mais se deixar moldar por Deus, tanto mais vai transformando tudo ao seu redor.

          Se nos enchermos de máscaras e nos escondermos do mundo usando algum legalismo bíblico, vamos nos tornar pessoas cada vez mais infelizes e fechadas. É preciso levantar, abrir o coração, primar pela simplicidade e transparência no tratamento com os outros, sair do ponto em que estamos parados e reconhecer que precisamos de Deus, da mesma maneira que precisamos do convívio das outras pessoas.

          Em relação à nossa expectativa de vida, temos duas escolhas a fazer: ou esperamos o tempo de Deus, ou nos precipitamos em nossos próprios caminhos. A espera em Deus deve ser sensata e paciente. Essa mesma espera, porém, não deve ser passiva na expectativa, como quando esperamos ansiosos pelo avião no saguão do aeroporto, ou pelo ônibus, na rodoviária. Esperemos em Deus, mas trabalhemos. Deixemos Ele trabalhar em nós e Ele trabalhar conosco. Deixemo-nos lapidar pelo Altíssimo. Ele é o dono do ouro e da prata e provará a pureza de nossas intenções, buscas e necessidades tal qual como a prata e o ouro são provados no fogo.

alegria

          "Santo Agostinho escreveu estas palavras: "Que a vossa vida cante!". Sim, Deus nos quer alegres! Mas como permanecer alegres interiormente, quando temos conhecimento do sofrimento de inocentes, quando ao nosso lado alguns conhecem provações incompreensíveis? Uma comunhão com o Espírito Santo nos torna mais sensíveis para partilhar e compreender o sofrimento dos outros. Quem procura seguir Jesus Cristo está simultaneamente em comunhão com Deus e em comunhão com os outros. A oração é uma força serena que nos trabalha interiormente e nos agita. Ela não nos deixa entorpecer diante do mal. É na oração que vamos buscar as indispensáveis energias de bondade, solidariedade, compaixão. Em qualquer situação, o Evangelho nos chama a uma atitude fundamental, que é a de nos abandonarmos a Cristo. Assim, há uma escolha a fazer, uma decisão a tomar. Que decisão? A de viver na gratidão para com Deus. Sim, com uma alegria interior, constantemente renovada. Para isso, precisamos de um espírito determinado."

 

“É preciso ficar claro que a desesperança não é maneira de estar sendo natural do ser humano, mas uma distorção da esperança”.

(Paulo Freire)

 

          É importante que levemos em consideração também todo espaço de partilha, seja fórum, e-mails, blog, sala de aula, na balada, no trabalho ou na porta do vizinho. A relação entre a diversidade, a esperança e o desejo, que em Santo Agostinho estão ligadas pelo simples fato de que todas são apenas moções da Misericórdia Divina frente ao gênero humano e a toda sua criação.

          Todo o sentimento de que a esperança é o desejo da alma (cf. Santo Agostinho in Psalm.62,5) vem da sua própria experiência de conversão, onde a Esperança em Deus foi quem o sustentou em seu caminho de volta ao Pai e o fez aceitar os desafios de sua missão junto aos homens e mulheres criados por Deus. "Toda minha esperança se estriba em tua misericórdia. Dá-me, Senhor, o que pedes e pede-me o que quiseres.” (Santo Agostinho in Conf.10,29). É por estas razões que a esperança se torna *ativa* e se torna fundamental na humanidade pois faz com que as pessoas progridam em suas capacidades para a sua própria realização pessoal e se tornem responsáveis uns pelos outros e honrem a Deus com sua própria vida.

          “Quem espera sempre alcança?” Talvez não! Como assim?? Já interpelariam alguns afobadamente. Para nós que acreditamos na Revelação Cristã, na esperança da vida eterna e da construção do Reino que começa desde já ao lado dos irmãos e irmãs neste mundo, convém perguntar "Quem espera sempre ama?"  Aquele que ama, espera sem se cansar, pois a sua meta não é alcançar, mas amar no amor que tudo se realiza. Já dizia Agostinho: "Cada homem é aquilo que ama." (De. Div.Quaest.83,35). Então espera e ama e você alcançará a sua meta e se realizará como filho e filha do Deus da Esperança.

          Aprendamos a esperar com paciência o tempo de Deus e que brilhe em todos nós, tal como a luz de um astro em meio a esta geração corrompida pelo mal, o brilho intenso do Espírito Santo em nossas vidas, permitindo que Ele transpareça e nos envolva, tornando-se em nós uma só beleza espiritual aos olhos de quem nos enamoramos.

           Valendo recordar o profeta em sua mensagem: “Mas os que esperam no Senhor, renovarão as suas forças. Subirão com asas, como águias, correrão, e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão”. (Isaias 40, 29-31)

Paz e Bem,

Guto

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* ps:  reflexões inspiradas após a leitura da citação do prof. José Roberto Goldim, em texto do frei Arthur Vianna Ferreira e no PHN que participei no final de janeiro, um anos desses, junto com um amigo.

Refletindo com Victor Hugo

 

 

" Seja como os pássaros que,


ao pousarem, um instante,

sobre os ramos muito leves,

sentem-nos ceder, mas cantam!

Eles sabem que possuem asas ".

(Victor Hugo)*

 

 

          A tristeza, o medo, a insegurança e a preocupação, por vezes, abatem o espírito humano e são muitas vezes implacáveis. Eis que alguém lembra: “Não sejais como os que não tem esperança” (cf. 1Ts 4,13). ‘Onde está o teu tesouro’ está também a preciosa esperança do seu coração. A de dar passos rumo ao desconhecido e não perder o bom humor e a alegria interior. Esperança de encontrar a verdadeira liberdade sabendo sermos lépidos também diante das dificuldades e obstáculos, pois temos boca para falar, mas podemos cantar, temos pés para caminhar mas podemos correr. “Aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; Ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar” (cf. Is 40,31)

 

 

 

 

 

 

 

* (Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon em 26 de fevereiro de 1802 e morreu em Paris a 22 de maio de 1885. Poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e orador, deixou obra extensa e variada. Exerceu influência profunda sobre os escritores de todos os países ocidentais, em particular os de idiomas românicos. No Brasil entre seus principais seguidores destaca-se Castro Alves. “Les misérables” (Os Miseráveis) é uma das principais obras escritas pelo escritor francês, foi publicada em 3 de abril de 1862 simultaneamente em Leipzig, Bruxelas, Budapeste, Milão, Roterdã, Varsóvia, Rio de Janeiro e Paris, nesta última cidade foram vendidos 7 mil exemplares em 24 horas. Victor Hugo  é também autor das clássicas obras, “Os Trabalhadores do mar” e “O Corcunda de Notre Dame”, entre outras." Muitas delas tiveram inúmeras adaptações para o cinema, teatro e televisão no decorrer das décadas.)

A Esperança na Educação da Boa Vontade

unidos

O povo do nosso país, em sua breve existência histórica, desenvolveu uma forma de conviver e lidar com as situações-limite da miséria, pobreza, fome e violência que arrisco dizer ímpar, ou ao menos rara no mundo. É a postura do gracejo otimista, do sorriso que vai ressurgindo timidamente após uma noite de choro e de dor, da solidariedade emocionada dos simples para com seu próximo, da esperança que nos arrebata a sempre tentar, ver e encontrar, mesmo na dificuldade e adversidade, a alegria de viver. Ou melhor, a alegria de “con-viver”, de viver junto com as outras pessoas.

E qual elemento poderia responder aos clamores por mudanças e ao mesmo tempo saciar tão concretamente quanto o pão que alimenta o faminto e a água que sacia nossa sede? Certamente a integridade e integralidade da Boa Nova da pessoa do Senhor Jesus Cristo. Porém falando a linguagem do mundo, apresento e anseio pela educação. Eis que a educação é a contribuição, mesmo que não transcendente, mas transformadora, ou mesmo modeladora do que o ser humano tem de melhor em si. Uma educação da boa vontade, da promoção humana, da solicitude e compaixão, que faz enxergar aos que tem olhos e voz aos que tem boca. Qual seria a contribuição mais efetiva e eficaz, para uma solução dos problemas de nosso país do que a educação? Fico com ela e não abro mão! E acrescento…uma educação da boa vontade! Uma educação que seja motivada e motivadora, humana e humanizadora, que reaprenda a resgatar os valores esquecidos e adormecidos da honra, da lealdade, do amor a pátria, ao próximo. Educação esta que nada tem a ver com o comportamento adestrado ou com o acúmulo de informações, mas com a pessoa integral, uma educação da boa vontade para formar e promover o indivíduo na verdadeira fraternidade humana, sem perder o foco das dificuldades existentes da miséria, fome, violência e intolerância, existentes nas diversas culturas.

Josué de Castro afirmou anos antes do nascimento de projetos como “Fome Zero” ou “Ação de Cidadania” que “a fome não é um produto da superpopulação”. Assim também a violência urbana que conhecemos dolorosamente em nossa pele não é fruto nascido da situação econômica, (esta agiria como uma “enzima social”), mas sim de alternativas e modelos culturais materialistas estimulados durante décadas e que levam ainda hoje a um tipo de reação padronizada e individualista da indignação e intolerância sociais. Tão bem regidos pela grande mídia, diga-se de passagem. Diante desse complexo quadro vale lembrar o físico Albert Einstein, quando disse que “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. E pré-conceitos sucessivos se tornam quase parte de uma enraizada “genética social”, onde ao vermos o tamanho da “máquina”, suspiramos e dizemos: “Isso nunca mudará!”. Imutabilidade! Essa não é a postura de um evangelizador, como em tantas vezes já nos disse o Papa João Paulo II quando nos fala a respeito da Civilização do Amor.

A atitude otimista do educador, em si, não deflagra uma ação concreta, pois muitas vezes permanece como um “produto ilusório” e empolgante, que não resiste ao impacto da realidade. Um otimismo assim não deflagra uma ação porque não vê as coisas como elas são de fato. Eis um motivo do otimismo não constar dentre as virtudes teologais. Seria um reducionismo de conteúdo, “diminuindo” a esperança a “um pensamento bom”, um “pensar positivo”. Sem dúvida que uma postura otimista diante da vida é algo saudável e necessário até, mas apesar de importante não é um ingrediente isolado, deve acompanhar a ação frente a uma leitura lúcida, orante e honesta da realidade e neste caso que acompanhe a ação perseverante e idealista dos nossos educadores.

A Esperança numa Educação da Boa vontade deve ser lúcida, madura e consciente e não alimentada por ilusões. Ernst Bloch certa vez escreveu que “a esperança nos obriga à convicção de que o mundo é transformável”. E é justamente isso o que motiva tanto uma “educação para a boa vontade”, quanto uma “nova evangelização” – novos métodos, novas técnicas, novo ardor, etc. – É a criatividade a serviço da vida e da esperança. Nós vivemos numa época onde os discursos e estratagemas estão elaborados e complexos, conduzindo e seduzindo discretamente no que costumo chamar de o “diálogo da serpente”. O discurso educacional do mundo dialoga desta maneira, misturando aos ensinamentos lampejos de verdade juntamente com as inverdades. São distorções e deformações sobre educação, história e família, comprometendo toda uma geração.

Oxalá, que a crise educacional pela qual passamos no país, possa encontrar definitivamente a luz no fim do túnel e que os educadores numa “esperança ativa e perseverante” provoquem uma desacomodação na situação de distorção que se encontra o ideal educacional hoje em dia, que deve ter na promoção integral da pessoa humana, o centro de sua dedicação.

(Artigo do autor deste blog, publicado no suplemento Cultural Cátedra, do Jornal Testemunho de Fé da Arquidiocese do Rio de Janeiro)