Gianna Jessen – sobrevivente de um aborto

A trinta e um anos atrás a compositora, escritora e cantora Gianna Jessen, sobrevivente de um aborto ‘mal sucedido’, queimadas por uma solução salina durante 18 horas. Gianna foi entregue viva numa clínica de Los Angeles e os médicos disseram que ela nunca poderia andar, devido às complicações decorrentes da tentativa de aborto, que lhe causaram prejuízos físicos, como atrofia e paralisia cerebral, a qual ela se refere como “dom”, pois veio a enriquecer sua vida.

Convido a assistirem o depoimento em vídeo abaixo, onde Gianna dá um corajoso e lúcido depoimento repleto de força e sabedoria, num parlamento da Austrália e conta como sobreviveu a um aborto pelo envenenamento salino, e incentiva a promoção da vida. Relata de forma impressionante, sábia e equilibrada, como foi abortada e… deu errado. Ou seja, alguém que está viva graças a um erro médico.

Gianna diz:

“Se o aborto diz respeito somente aos direitos da mulher, então quais são os meus direitos?”

Em uma de suas afirmações diz:

“eu não sobrevivi para fazer as pessoas se sentirem confortáveis”.

Eis o vídeo de seu depoimento dado em setrembro de 2008, em Queen’s Hall, Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália.

(parte 1/2)

“O meu nome é Gianna Jessen, nasci na Califórnia, mas atualmente vivo no Tennessee. Fui adotada e tenho paralisia cerebral. A minha mãe verdadeira tinha 17 anos e estava grávida de sete meses e meio quando decidiu fazer um aborto por solução salina. Sou a pessoa que ela abortou. Mas, em vez de morrer, sobrevivi”.

“Felizmente, para mim, o médico aborteiro não estava na clínica quando nasci com vida, às 6h da madrugada de 6 de abril de 1977. Nasci prematura: a minha morte não estava prevista para antes das 9h, altura em que o aborteiro deveria começar a trabalhar. Tenho a certeza de que não estaria aqui hoje no caso de o aborteiro estar na clínica, pois o seu trabalho é matar, e não salvar. Algumas pessoas disseram que sou um aborto de carniceiro, um aborto falhado”

(parte 2/2)

“Algumas pessoas presenciaram o meu nascimento: a minha mãe e outras moças que estavam na clínica à espera da morte de seus bebês. Disseram-me que isso foi um momento de histeria. Próximo estava uma enfermeira que chamou a emergência e eles transferiram-me para um hospital. Fiquei naquele hospital mais ou menos três meses. No princípio, não havia muita esperança, pois pesava somente 900g. Hoje, já há casos de bebês que sobreviveram sendo menores que eu”.

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“Acabei sobrevivendo e saindo do hospital, sendo entregue a uma babá. A minha paralisia cerebral foi atribuída ao aborto. Disseram à minha babá que seria muito difícil que chegasse a engatinhar ou andar. Não conseguia sentar sem ajuda. Graças às orações, à dedicação da minha babá e, mais tarde, de muitas outras pessoas, acabei aprendendo a sentar-me sozinha, a engatinhar e a ficar de pé. Comecei a andar com muletas pouco antes dos 4 anos. Fui legalmente adotada pela filha da minha babá, Diana De Paul, alguns meses depois de começar a andar. O serviço de assistência social não me permitia ser adotada antes disso”. “Continuei a fisioterapia por causa da minha deficiência e, depois de quatro intervenções cirúrgicas, posso agora andar sem ajuda. Nem sempre é fácil. Algumas vezes caio, embora, depois de cair durante 19 anos, tenha aprendido a cair graciosamente”.

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“Estou contente por estar viva. Quase morri. Todos os dias agradeço a Deus pela vida. Não me considero um subproduto da concepção, uma massa de tecidos ou qualquer um dos títulos que dão às crianças em gestação. Não considero que as pessoas concebidas sejam meramente essas coisas”. “Conheci outras pessoas que sobreviveram a um aborto. Todas são gratas pelo dom da vida. Há alguns meses, conheci outra menina que sobreviveu a um aborto por solução salina. Chama-se Sara. Tem dois anos e tem também paralisia cerebral. Ela é cega e tem muitas cicatrizes. O aborteiro, além de injetar a solução no útero da mãe, injeta também no bebê. A Sara foi injetada na cabeça. Pude ver em que parte da cabeça isso lhe foi feito. Quando falo, faço-o não somente por mim, mas por todos os outros sobreviventes, como a Sara, e por aqueles que ainda não podem falar”.

“Hoje, um bebê só é bebê quando vem na hora certa. Quando a hora não é certa, é um monte de tecidos ou outra coisa qualquer. Um bebê é um bebê quando um aborto espontâneo ocorre aos 2, 3 ou 4 meses. Um bebê é tecido ou massa de células quando o aborto é provocado aos 2, 3 ou 4 meses. Por que isso é assim? Não vejo diferença nenhuma. Que diferença vêem os senhores? Muitos fecham os olhos…”

“Para defender a vida, a melhor coisa que eu lhes posso mostrar é a minha vida. É um grande dom. Matar não é a solução para nenhum problema ou situação. Mostrem-me que matar é solução. Há uma citação na parte de cima de um dos edifícios do Capitólio que diz: ‘Aquilo que é moralmente errado não pode ser politicamente correto’. O aborto é moralmente errado. O nosso país está derramando o sangue de inocentes. Os Estados Unidos estão matando o seu futuro”.

“Toda vida tem valor. Toda a vida é um dom do nosso Criador. Temos de receber e cuidar dos dons que nos foram dados. Temos de honrar o direito à vida”.

Hoje é uma ativista próvida e critica o atual presidente Obama, ainda quando era senador, por não se importar com os abortados ainda vivos, que são abandonados como animais para a morte. Sendo que no final do ano passado, em 2008 um filme baseado em histórias reais foi lançado no cinema: “22 Weeks” – veja o trailler aqui.

Gianna tem feito muitas viagens por todo o mundo. Sua experiência de vida tem sido objeto e interesse de muitas agências de notícias internacionais, como a BBC News and World Radio, Sky News, e outras grandes empresas, atingindo muitas pessoas com uma mensagem de esperança e convicção. Tem falado em em várias universidades por toda a Irlanda, em Londres, na Camara. Em paróquias, igrejas, escolas públicas, em retiros, organizações juvenis e mesmo deu seu depoimento perante o Supremo Tribunal no Carhart v. Gonzales(*). (Biografia em seu site pessoal)

(*) “Gonzales v. Carhart” é o nome do caso que foi levado (em 2007) ao Supremo Tribunal americano que se assemelha a uma Suprema Corte.

Escute no site oficial dela a belíssima voz desta jovem que nos dá esse testemunho de vida e superação. http://www.giannajessen.com

Mais informações em:

BBC News / BBC – Religião, Ética e Moral / Entrevista e reflexões

Philanthropy’s – Filantropia

 

Série Philanthropy’s estréia na tv.

Equipe da série

A premissa de inspiração na vida real não é algo novo de se ver, mas tendo sido feito sob as pegadas filantropicas do empresário Bobby Singer pode trazer um viés interessante e bastante crítico sobre as tramas. Seja o que for que inspire para o bem, para a promoção humana e para o olhar de compaixão ao próximo é, além de necessário em tempos materialistas e hedonistas, também super válido como algo que merece ser multiplicado, mesmo pelos que não são milionários.

A sinopse trata-se de um drama estilo meio "olho por olho", onde as regras são como que abreviadas pela posição social e influência de um empresário, em prol de alcançar-se a justiça. Os episódios são bem escritos e enxutos, quem procura uma boa distração pode passar sem receio seus 40 minutos diante de cada capítulo, pois até agora o roteiro não decepcionou.

A personagem protagonista de Teddy Rist passa pela perda do seu filho, a um ano atrás, seguida da separação da esposa. Ele então começa a questionar-se o que está fazendo de sua vida e acaba se enveredando para a filantropia, que é o humanitarismo e na melhor transcedência do termo, dedica-se a caridade.

O primeiro episódio é rodado na Nigéria e retrata aspectos políticos internacionais e locais que tendem e terminam por serem obstáculos para um auxílio efetivo irrestrito e eficaz às populações africanas. O que realmente ocorre nos países de regimes ditatoriais africanos. O ex-empresário Bobby Sager, deve realmente ter ótimas histórias na manga dignas de terem inspirado as narrativas da minisérie.

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Philanthropy’s é um pouco além que as aventuras narradas, torna-se uma apresentação crítica e humanitária que questiona as consciências dos que se encontram com a pena da decisão em suas mãos. o Sr. Sager sofreu uma transformação gradual que começou assim: um crescente sentimento de que acumulando carros e apartamentos não era a maneira como ele queria passar o resto de sua vida. "Não foi como eu tive esse momento de consciência ou eu disse, tenho tido sorte e agora quero dar para trás", diz ele, recontando a história em sua expansão, três andares de um apartamento com vista para Boston Commons.

"Foi sobre mim, em minha busca pela plenitude da minha vida, olhando para a minha situação e disse, mais dinheiro não vai me dar maior retorno sobre o investimento, porque eu já tenho tudo o que eu quero que o dinheiro pode comprar." Então o sr. Sager embarcou em uma viagem anuais ao redor do mundo. Sua família viveu na Austrália, Butão, Brasil, Índia, Nepal, Paquistão, Ruanda, África do Sul e Sri Lanka, com o objetivo de encontrar e apoiar programas de beneficência. Sr. Sager ainda passa a maior parte do desenvolvimento de cada ano visitando projetos sem fins lucrativos e repassando sua lista de contatos empresariais para ajudar a torná-la mais eficaz. Elas incluem um projeto que introduz monges tibetanos para a ciência moderna, que saiu de uma conversa entre o Sr. Sager e o Dalai Lama na Brandeis University, um programa no Iraque, que ensina aos jovens futebol e as competências de que necessitarão como adultos. (…)

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Ao longo dos anos, o Sr. Sager, desenvolveu uma rica filosofia de dar, que vai agora para a televisão. Ele tem um acordo contratual com a NBC, ele disse, e tomou Charlie Corwin, o seu amigo e co-criador do show, para a Cisjordânia para recolher ideias para o roteiro. Ambos sublinham, no entanto, que a série não se baseia diretamente na vida do Sr. Sager, e de que ele não é "gallivanting" em todo o mundo. ("gallivanting" seria algo como um galanteador que percorrer lugares em busca de prazer, flerte ou divertimento).

Mantém nas paredes de seu apartamento várias fotografias  que tirou em todo o mundo: um close dos olhos e nariz de uma mulher detida por matar seus quatro filhos durante o genocídio de Ruanda, uma foto de Dalai Lama que destaca, nas palavras do Sr. Sager, "o fato de que a vida necessita de olhos do Deus vivo", e dois ("side-by-side"), tiros de um homem idoso afegão com uma longa barba e dentes recortados, um confronto de um ato grave e um sorriso.

Central para o Sr. Sager da fotografia é uma ideia que é também essencial (…) ficar perto  das pessoas e fazer uma ligação com elas. "Você tem que entender realmente o local, não que está dizendo às pessoas o que é bom para eles", diz ele. "Eu usei uma analogia de negócios. Você pode não entender o negócio, a menos que você esteja trabalhando na fábrica." A chave para fazer um bom trabalho não é só dinheiro, mas de contactos, influência, persuasão e habilidades, diz ele. "Noventa por cento do resultado da minha filantropia é uma consequência das minhas habilidades e minha e do meu Rolodex, apenas estar no terreno", diz o Sr. Sager.

"Recebo para implantar o mesmo tipo de competências que eu usei para ganhar dinheiro. Recebo para tornar as pessoas responsáveis. Sei como fazer negócios." Sr. Sager recrutou com o presidente da Palestina, a maior empresa de telecomunicações, por exemplo, para ajudar a renovar campos de futebol na Cisjordânia. Durante uma visita ao Paquistão para distribuir cobertores às vítimas do terramoto de 2005, ele telefonou a um conhecido para que gerasse um programa de educação por caridade, chamado ‘Fundação Cidadãos’ e discutiu as linhas gerais de um programa que iria reconstruir escolas e capacitar professores.

Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o Sr. Sager partiu para a fronteira do Afeganistão e do Paquistão, chamando seu amigo Nancy Aossey, presidente da entidade sem fins lucrativos International Medical Corps.

Ao falar sobre a sua doação, Sr. Sager também retorna vez ou outra ao tema do auto-interesse. Ele começou, por sua ação filantrópica, a viaja para melhorar não só a vida de outras pessoas, mas também a de sua família.

"Não há energia vibratória para ele. (…) “Sou um executor que descobriu que (…) a filantropia é a maneira de viver a vida plena."  E ele sempre olha para o "excepcional retorno sobre o investimento." Isso significou que, em Ruanda, criou um programa de microcrédito que fornece pequenos empréstimos a mulheres na gerência das empresas. Também ajudou a criar laços comerciais entre as mulheres cujos maridos foram os autores de genocídio no país, e também às mulheres cujos maridos foram vítimas.

No Afeganistão, o Sr. Sager escolheu para ajudar International Medical Corps para treinar médicos e trabalhadores para cuidar da saúde das mulheres, porque ele reconheceu que o programa pode não só melhorar os serviços de saúde do país, mas também aujdar o crescimento do ‘domínio feminino’. Sr. Sager espera cada vez mais esse tipo de histórias vai inspirar outros doadores – e ele já é um sucesso. Seu amigo Doug Mellinger, fundador da Fundação Fonte, diz que ele trouxe um grupo de doadores ao Sr. Sager em seu apartamento nos últimos anos para ouvi-lo falar.

Alguns tem mudado sua abordagem, dando mais atenção a filantropia, se envolvendo cada vez mais em suas causas. Mas a Sra. Aossey, presidente da International Medical Corps, diz: "Bobby é um tipo único de doador, e o que ele tem feito até agora vai além do apoio financeiro, apesar de que é criticamente importante. Ele sabe o que ele usar para inspirar outros à acção e para mobilizar as pessoas ".

Sr. Sager tem planos para acelerar o seu evangelismo filantrópicos no futuro. A fundação irá criar uma nova "divisão" incidiu sobre como tirar a palavra, sobre o Sr. Sager, da marca de filantropia. Ele tem um livro chamado O Poder do Invisível domingo saindo ainda este ano pela Chronicle Books.

O potencial para influenciar mais americanos também explica por que razão o Sr. Sager é feliz com o show de televisão, embora ele não está satisfeito com todos os aspectos do protagonista. A personagem de Mr. Rist’s é canhestro e pode ser por vezes – segundo palavra do prório Sager – “um "idiota”.

bscap0002No piloto, diz o Sr. Sager, "Teddy Rist não é Bobby Sager, Teddy Rist quer ser Bobby Sager. Ele está começando para fora em sua viagem." Ele também diz que americanos ainda podem aprender com a natureza – talvez até mesmo de suas falhas.

 

"Espero que a segunda coisa que percebam é a ideia de que toda pessoa tem certas habilidades e esse cara está usando suas habilidades para obter e realizar coisas."

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Seu pai era proprietário de uma pequena jóia negócio, e sua mãe era dona de casa e muitas vezes ativista: por exemplo, alugar apartamentos em nome dos jovens negros que foram recusados pelos senhorios, os proprietários e, em seguida, indo a tribunal.

Então ele vai voltar brevemente para Boston, onde irá assistir à estréia do piloto com a sua família e (…) admite que às vezes o piloto pode fazer ele sofrer. "Se eu estou disposto a colocar-me em situações na província da fronteira noroeste do Paquistão e Afeganistão", diz ele, "então eu posso fazer-me sentir um pouco desconfortável com o que haverá comparações com alguém que não é comigo, mas quem quer para ser eu."

 

Fonte: http://philanthropy.com/free/articles/v21/i17/17001501.htm   (tradução livre)

“A Internet é uma utopia: o homem nunca foi tão sozinho”

Nessa entrevista a professora Bouilly comenta algo que apesar de não soar como nenhuma novidade é interessante de refletir sobre os termos da “neutralidade” com que se apresenta essa grande ferramenta mundial da web.

O uso da mesma, o que realmente se procura preencher ao acessa-la, poderá girar desde a simples curiosidade de um entretenimento até mesmo um mecanismo egoísta, frio e destrutivo.

Discordo dela ao se referir ao “para que as novas tecnologias”. Eu diria que, desde que, visem à humanização, venham dar suporte e otimizem a boa utilidade e auxiliem o dia a dia das pessoas, sem as tornarem estéreis dependentes de máquinas, por mim é algo interessante e inevitavelmente irreversível.

No âmbito da utopia a tecnologia não deve(ria) se tornar uma prótese do contato humano, não deve(ria) encobrir o ato do ir de encontro ao outro, das coisas mais simples e aquecidas que o contato com as pessoas reais em nosso dia a dia tem a nos oferecer de forma ímpar e insubstituível.

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A seguir a entrevista com Marie-France Bouilly:

A professora francesa Marie-France Bouilly falou sobre o tema A importância da tecnologia para manter o sistema social no VIII Seminário Internacional da Comunicação – Mediações Tecnológicas e a Reinvenção do Sujeito, realizado nos dias 3 e 4 de novembro de 2005, na PUCRS, em Porto Alegre. Ela é presidente da Associação Francesa de Relações Públicas (AFREP).

A entrevista a seguir foi feita pessoalmente pela redação da IHU On-Line. Nela, a francesa afirma que “pode-se fazer coisas horríveis através da Internet. Não penso que o homem esteja se comunicando. Para que essas novas tecnologias? Não há mais limites. Penso que o homem está se tornando insensato com esse instrumento que o permite “navegar” pelo mundo inteiro, em inúmeras informações mais ou menos justas. Tenta-se criar utopias, tenta-se construir grandes cidades planetárias, uma cyber cidade planetária. Não é verdade. O homem nunca foi tão sozinho”.

IHU On-LineQuais os principais aspectos abordados pela senhora em sua conferência?

Marie-France Bouilly – Na minha conferência, falei das cyber cidades planetárias que nos são impostas, pois não é necessariamente uma escolha. Falei da dificuldade que os homens têm atualmente em se comunicar. Estamos na era da comunicação, no milênio da comunicação, e penso que nunca nos comunicamos tão mal. Falei também das tecnologias que não mudaram. Um comunicado de imprensa será sempre um comunicado de imprensa, um dossiê de imprensa será feito sempre da mesma forma. O que vai mudar é o meio de transferi-los aos jornalistas implicados no processo. É preciso saber que, na França, os jornalistas recebem tantos documentos pela Internet, que atualmente estão tendo um bloqueio. Eles não os lêem mais, colocam-nos diretamente na lixeira. Isso provoca problemas, pois atualmente eles nos pedem para enviar-lhes coisas pelo correio. Nunca utilizamos tanto papel e imprimimos tanto como desde que começamos a utilizar a Internet. Para mim, a Internet é uma utopia.

IHU On-LineA senhora tem uma idéia da razão de os homens não se comunicarem mais ou por que há esse problema atualmente?

Marie-France Bouilly – Há hipóteses. Alguns dirão que os homens se comunicam. Mas nos encontramos no seguinte problema: a facilidade existe, mas não nos deslocamos mais, enviamos um e-mail. Acho normal e fabuloso poder me comunicar com o Brasil pela Internet. Comuniquei-me com a Universidade e organizei meu deslocamento. Perfeito. Mas não é normal que a 30 quilômetros de meu domicílio, as pessoas com as quais trabalho me enviem um e-mail e não usem mais seus telefones. Para mim, a mais bela invenção do século XX é o telefone. Nele se tem o contato humano. Penso que a comunicação está, antes de tudo, baseada no contato humano e, com a Internet, não há mais isso. Os jovens estão hipnotizados diante do monitor do computador. Não se movem mais, tornam-se tão cinzentos quanto seus computadores e não se comunicam mais. Estamos em um mundo fechado. Então, penso que não estamos na era da comunicação, mas, na da intoxicação da comunicação. Da desinformação total. Por quê? Expliquei também em minha intervenção que se pode difundir muitos rumores, fazer coisas horríveis pela Internet. Não penso que o homem esteja se comunicando. Para que essas novas tecnologias? Não há mais limites. Na França, temos a expressão il faut raison garder (é preciso manter a razão) e penso que o homem está se tornando insensato com esse instrumento que o permite “navegar” pelo mundo inteiro, com inúmeras informações mais ou menos justas. Tenta-se criar utopias, tenta-se construir grandes cidades planetárias, uma cyber cidade planetária. Não é verdade. O homem nunca foi tão sozinho.

IHU On-LinePor que é importante trazer esse debate a um congresso internacional e ao meio acadêmico?

Marie-France Bouilly – Penso que é interessante conduzir esse debate, pois estamos no centro dele. Essa geração de estudantes tem a mesma problemática, tanto na França quanto no Brasil. É um problema interplanetário e se consegue que as pessoas, enquanto temos meios de comunicação extraordinários, tais como o trem TGV (Trem de Grande Velocidade), o avião, o telefone, se reúnam para manter justamente esse contato. Os homens se separam cada vez mais, se fecham. E disso, eu ainda não consigo entender verdadeiramente a causa. Mas estamos em uma sociedade do isolamento. Observe que, na atualidade, se pode trabalhar do interior da zona rural. Existe o telefone celular, o monitor e não há mais necessidade de sair de casa. Desligamo-nos do mundo real. Vivemos em um mundo virtual. E isso, para mim, que sou uma mulher de contatos, é muito difícil de entender. Nada substituirá um aperto caloroso de mão, um olhar, um contato com seu cliente, seu interlocutor. Como queremos definir a personalidade do indivíduo que está diante de nós, pelo monitor? Um monitor é frio, vazio, glacial. Na vida, não é assim, é de outra forma. Estamos em pleno isolamento. O homem se isola. Há muita angústia. Será que eles têm medo? Penso que ele teme o mundo real no qual vive. Isso é certo. Podemos fazer uma videoconferência onde cada um fala de seu país sobre o tema. Mas é tão agradável vir ao encontro dos outros. E isso está terminando. Estão se criando cyber robôs.

IHU On-LineDe que maneiras as novas tecnologias podem se tornar instrumentos políticos de construção da cidadania?

Marie-France Bouilly – Hoje se pode tudo fazer pela Internet. Pode-se votar, gerenciar a conta diretamente, mas não se pode responder sobre isso. Estou mais voltada para a comunicação pura, a verdadeira comunicação. A do encontro do outro.

(Fonte: Unisinos)