Amazing Grace

 

Wintley Augustus Phipps, nascido em Trinidad Tobago, possui bacharelado em Artes e Licenciatura em Teologia. Serviu como pastor em várias igrejas em Washington DC. É um famoso intérprete e orador, iniciador inovador dos projectos especiais, como a "Academia dos Sonhos" (uma organização sem fins lucrativos, dedicada a auxiliar, através de programas de educação, crianças, jovens em risco e ex-presidiários).

Wintley Phipps, faz uma introdução sobre a "gospel music" (música espiritual), termo tão atualmente tão desgastado e referido a todo tipo de canto "spritual", até mesmo em nossas terras tupiniquins. Ele destaca o antigo e original canto espiritual dos escravos negros (composto na escala pentatônica), de onde uma combinação supostamente mais restrita que a escala convencional "branca" (Dó, Ré, Mi, Fá…), pode brindar e, por que não, imortalizar canções de uma simplicidade que esconde uma verdadeira potência.

A canção "Amazing Grace", cantada por inúmeros cantores e cantoras americanos e estrangeiros, longe de se torna uma melodia cansativa revela a sua fecundidade na interpretação absolutamente primorosa de Wintley, demostrada no video abaixo, onde Wintley relata a origem da citada canção.

 

 

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John Newton (autor da letra da canção Amazing Grace), depois de um curto tempo na Marinha Real, iniciou sua carreira como traficante de escravos. Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois que ele deixou o convés o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Mais tarde ele comentou que durante a tempestade ele sentiu quão frágil e desamparado eles estavam e concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-los naquele momento. Incentivado por esse acontecimento e pelo que havia lido no livro, Imitação de Cristo, supostamente de autoria do padre Tomás de Kempis, ele resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor a canção Amazing Grace ("Graça Maravilhosa").

Cantiga por um ateu

Em meio a tantas doutrinas hermafroditas e mutantes neste nosso mundo com tantas facetas de expressão, este post pode parecer “profeticamente paradoxal”, mas não o é. O “sangue de mártires (ainda) é (e será) sementeira de cristãos”.

A canção “Cantiga por um ateu”, do vinil de 1974 do Padre Zezinho trás versos ainda atuais e extremamente necessários, tanto à fé dos ‘crentes’, quanto aos ‘descrentes’, convidando em seus versos a um encontro honesto e sereno: “Eu sei que da verdade não sou dono /  Eu sei que não sei tudo sobre Deus. / Ás vezes, quem duvida e faz perguntas, / É muito mais honesto do que eu.”

Não é uma consagração ao ateísmo, mas apresenta o diálogo amoroso e compreensivo com aqueles que confessam uma fé diferente da “não-crença” e que indagam procurando respostas.

Quando preciso, dependendo da situação dou o meu abraço, aperto de mão ou então um “vade retro”. Tudo uma simples questão de xibolete (Juízes 12,1-6).

Simples assim!

Cantiga Por Um Ateu (pe. Zezinho, scj – 1974)



“Um grande amigo meu

Que a sua fé perdeu,

No dia de Natal me procurou.

Contou-me a sua vida

Tão cheia de incertezas

Com tanta honestidade

Que me fez chorar.

E a lágrima teimosa caindo no meu rosto

Lavou meu preconceito de cristão.


Eu sei que da verdade eu não sou dono,

Eu sei que não sei tudo sobre Deus.

Às vezes, quem duvida e faz perguntas,

É muito mais honesto do que eu.


Ao grande amigo meu

Que a sua fé perdeu,

No dia de Natal me confessei.

Contei-lhe a minha vida

Tão cheia de procuras

Com tantas esperanças

Que ele até sorriu.

E aquele riso aberto

Nos trouxe bem mais perto,

Lavou seu preconceito de ateu.


Por este amigo meu

Que a sua fé perdeu,

Naquele mesmo dia eu fui rezar.

E a minha prece amiga

Gerou esta cantiga

Que eu fiz pensando muito

Em meu país cristão.

Às vezes muita gente

Não crê no que acredita

E afasta o seu irmão da religião.”

O sorriso do choro

Melodia do chorinho faceiro


A música tem uma mística…
um malabarismo quântico de física aeróbica avançada,
mas ninguém se prende a essa fato.

Num só instante de melodia, meu metabolismo do tempo e memória
convulsiona-se numa frenética erupção de sonhos, de encantos, pensamentos e possibilidades.

Não me iludo, não me engano, sei que toda canção tem começo e fim,
Fico no meio, a ilusão volta a mim.

No próximo passo onde pisarei,(sonâmbulamente?)
Em terra boa, em terra firme?

Não sei…apenas ouço e sigo o que ouço
na codificação criptografada do simples som da natureza.

A música no fim, ou em seu começo de mim
não me permite previsão dos sentidos
pois justamente nessa fusão com as notas do ser
teço melodia intangível engravidado pelo som
no justo instante do toque eterno que soa e ressoa na cavidade
do meu poético peito que se rende ao encanto.

Fugir é bobagem que nunca pensei
finco o som, combato minha estupidez
e sonho… pois essa permissão é dada ao meu eu tolo.

Meu violão companheiro, filosofa a melodia que surge aspergindo meu coração.
por vezes fala alto e revela meus segredos
por outras é discreto no seu som.

E assim sendo, quem o ouve acaba esquecendo de onde veio a tal melodia.

Mas nem ele, nem eu nos calamos ou nos acalentamos plenamente
teimosamente nos desnudamos no som
no ritmo da novidade incauta
do sonho que apunhala-se num faceiro haraquiri cantado
levemente acariocado
na transpiração do ritmo chorado do chorinho
que enxuga o coração num sorriso melodia
esperança-revelação-mistério contido na canção
que já finda e deixa seu recado sonoro
o toque inodoro da pessoa que ressoa no badalo da criação do universo em expansão misteriosa.

E componho enfim a melodia faceira.


(Guto Santos)