Google ajuda na crise das chuvas do Rio de Janeiro

A tecnologia pode ajudar a organizar e agilizar em muito toda a mobilização em prol do socorro à população dos municípios afetados pelos eventos arrasadores na região serrana. Desenvolvido pelo projeto Google Crisis Response (que tem como objetivo tornar mais acessíveis informações sobre desastres naturais e crises humanitárias). Está no ar um site que visa centralizar as informações sobre as cidades afetadas pelas chuvas no Estado do Rio de Janeiro. "O mapa identifica locais de coleta de doações (em amarelo), hospitais (em vermelho) e locais de cadastramento de voluntários (em verde)."

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Anistia Internacional e seus Especialistas em Brasil

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Presunção da A.I. e seus "Especialistas em Brasil"

 

Eu pretendia também deixar um recado no site da Revista Época, mas parece não estar funcionando direito e o texto não é enviado

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Respondendo notícia e pronunciamento da AI:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI190710-15228,00.html

 

               Não desmerecendo a importância histórica de uma entidade como a Anistia Internacional, mas perderam um grande momento de ficarem calados.

               Tal pronunciamento foi de imensa presunção, arrogância e principalmente acoberta uma grande desinformação. Afirmar que a polícia colocou em "situação de risco ás comunidades" ou querer ensinar alguma lição de "como se faz" ou "como se deve fazer", faz do pronunciamento desse gringo, sr. Patrick Wilcken, "especialista em Brasil" soar de forma ridícula. "A operação não teve impacto positivo para a segurança da comunidade"?? Como assim?? Que "pesquisa" é essa?

              Imagine só, bastam as tolices que surgirão certamente de pessoas/políticos (políticos são pessoas?!) que sempre foram omissos, mas que agora irão querer algum pedaço na fatia da satisfação popular. A ação bem sucedida (mas que apenas começou) fala por si e conta SIM com o apoio popular, enviando um "cala boca" a todos esses "especialistas playmobil" que devem gostar muito do conforto de seus cargos e da decoração de seus escritórios, fazendo suas análises à distância, sem conhecer a vida, os sonhos, os desejos e anseios das comunidades aprisionadas pelo narcotráfico. Caros "especialistas em Brasil", caminhem dentro das comunidades, hospedem-se por um tempo dentro das comunidades, conheçam as pessoas, as famílias, seu cotidiano para então sim poder abrir a boca e emitir pronunciamentos um pouco mais honrados, honestos, precisos e à altura do pretenso ideal da instituição.

O abraço do Cristo: Carinho de Verdade

 

Aconteceu, mas eu só vi agora! O Cristo Redentor te deu aquele abraço!

Ele, no dia 19 de outubro de 2010, num abraço simbólico ao Rio de Janeiro simbolizou de certa forma a “causa desse carinho” que devemos ter pelas nossas crianças. Digo “nossas”, pois todos nós temos uma parcela de responsabilidade.

O efeito – uma ilusão de ótica provocada por projeção de luzes e imagens – faz parte da Campanha "Carinho de Verdade", de combate à violência e exploração sexual de crianças.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- aqui em wide com alguns segundos a mais -

 

Para simular o abraço, o cineasta Fernando Salis usou oito projetores, que cobriram a estátua com imagens do Rio, como sobrevoos de asa-delta, as florestas e até mesmo o trânsito. Ao som de Bachianas Brasileiras n.º 7, de Villa Lobos, e com animação em 3D, a estátua parece fechar os braços.

Vale conferir e refletir o belíssimo efeito. Se assim pequenininho ficou bacana, imagine o que deve ter sido assistir ao vivo.

 

 

Fonte: http://www.carinhodeverdade.org.br

FUM5: Quatro cidades brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo

Com aproximadamente mais de 16 mil inscritos, O V Fórum Urbano Mundial da ONU que começa hoje no Rio de Janeiro (22 a 26 de março), já chega trazendo um triste ranking.

Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília são as cidades mais desiguais do Brasil, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que será divulgado nesta sexta-feira (19), no Rio de Janeiro. Em comparação às cidades no mundo, só perdem para três cidades sul-africanas, que lideram a lista de desigualdade: Buffalo City, Johannesburgo e Ekurhuleni.”

 

 

Esse é um dos dados que serão apresentados no início da semana que vem no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio, onde vai acontecer, na próxima semana, o V Fórum Urbano Mundial da ONU. Este ano o tema em debate é o crescimento das cidades e as políticas públicas que precisam ser implementadas para o cidadão ter seus direitos garantidos, como o acesso à moradia. Segundo a ONU, mais da metade da humanidade hoje vive em cidades.

O Fórum foi estabelecido pelas Nações Unidas para analisar um dos problemas mais urgentes que o mundo enfrenta hoje: a rápida urbanização e seu impacto nas comunidades, cidades, economias, mudanças climáticas e políticas.

O tema do FUM5 é “O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido”.

 

 

 

 

Sites oficiais:

- Fórum Mundial 5 (BR)

- Un Habitat (ONU)

 

 

Ver mais no G1 aqui

Lapa – O Segredo da Joaquim Silva

O Segredo da Joaquim Silva

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Por João Paulo Cuenca

É noite e é a Lapa. Do outro lado da rua, a Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro nos guarda como um vigia gordo e cego. Capenga de uma torre, fachada opaca, a igreja por dentro é um bolo azul e dourado do século XVIII, com cristo envidraçado à esquerda do altar, uma ostra gigantesca por trás do padre que, baixinho, deita o último sermão do dia: “não busquemos entre os mortos quem está vivo…” A sua frente, cocurutos grisalhos ajoelham-se no solo.

Onde estou, não sinto o cheiro de mármore frio ou o conforto da palavra. Aqui, no Largo Nelson Gonçalves, há o ganido da freada dos ônibus, o papo dos engravatados esperando o concerto na porta da Cecília Meireles. Mendigos aliviam-se nas raízes das palmeiras anãs que encobrem o mural pintado da escola de música. Ao longe, por trás dos Arcos, a luz esverdeada e indiferente dos arranha-céus de granito flutua sobre nós.

Resolvo subir o beco entre o Ernesto e a Cecília. Vejo aquele mural na parede com João do Rio, Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Noel Rosa, Portinari e Di Cavalcanti. Gostaria de convidá-los prum chope ali na Flor de Coimbra. Procuro nos bolsos, giro o periscópio pelas outras paredes do beco e da Lapa – não os encontro.

Agora o desenho dos mortos dá espaço a graffitis, e, já na Joaquim Silva, frases como “Hexa Lapa”, “Brasil is beautiful” e, com destaque, “As noivinhas da Lapa são chapa quente”. Das janelas dos sobrados, chega o som abafado de atabaques e máquinas de escrever. Um carro de lixo passa pela rua, risca faixas rubras pelas janelas em círculo com sua luz de ambulância e desaparece, no passo lento de um rinoceronte de metal.

É quando uma nuvem de gafanhotos traz, pela escadaria da Manuel Carneiro, um senhor barbudo, sujo de graxa, erguendo trapos sobre o esqueleto pontudo. O velho me encara com olhos vidrados, a careca reluzindo o amarelo dos postes, e, com gestos de lorde britânico, aponta para a porta de uma pensão: “Ali dentro, você precisa ver!”. Sigo seus passos e…

(minha continnuação)

Por Guto Santos

…e não sabendo muito bem o que vou encontrar, atravesso um corredor sujo de parede descascada pelo tempo. Passo por uma pequena sala de estar onde a mobília, com gritante cheiro de antiga, dissimula uma decoração. Antes de chegar ao formigueiro humano do pátio descoberto de piso alquebrado, meus ouvidos curiosos acusam um zumbido de estridentes vozes e gargalhadas que rasgam o ar e junto com o som do alegre samba chorado parece compor o bordado do gracejo local.

Conforme adentro no local, as pessoas em seu andar sambeado de marionete dançante, me saúdam com misterioso sorriso agridoce enrugado que poderia ter inspirado vários enredos de sambas ainda não cantados. Não sei por que me sinto tão bem, num local sem nada demais.

Depois de ouvir o repertório humano da pensão e tomar uns tragos, voltei a caminhar pelo coração do bairro. A Joaquim Silva, já foi nobre e bonita na sua juventude. Passo pelos hotéis, pelos sobrados dos sebos fechados, ouvindo o eco imaginário do batuque nas caixas de fósforo e paro um pouco na escadaria Selaron. Milhares de mosaicos coloridos de ladrilhos mutantes decorados. É o mosaico dos que se sentem parecidos e timbram juntos sem saber a mesma canção.

Piso calmo nas calçadas sujas, passando pelos botecos com cerveja barata e freguesia fiel. Deslizo pelo Beco do Rato, com suas tribos sortidas. A Lapa hoje está na moda. Mas é preciso sorvê-la com olhos de poeta desconhecido, antes de rodopiar pelo salão de paralelepípedos acinzentados.

Bate o cansaço nessa alta madrugada e eu, íntimo da Joaquim, quase consigo ouvir o silêncio da rua. Pensando, por instantes, ela silenciara sua alma para ouvir meus pensamentos altos. As ruas não tem gramática, não tem dono, não tem regras, ando por suas rugas outrora cheias de gente. Navego sem mar, sigo em frente sem leme. A Joaquim não é só uma sucessão de fachadas e botecos… é uma forma de se lidar com a sede, apesar de tanto se beber.

(Texto participante do  Concurso Cultural “Crônica do Leitor”, promovido pela INFOGLOBO em setembro de 2007)