Ensaiando

Nada é impossível de mudar


Aos católicos protestantes e aos protestantes não católicos

“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo, numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é, por si só, parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.”

[Albert Einstein]

Junto aos e-mails sobre um Jesus de Nazaré adocicado, que costumo receber, penso que realmente, nestes, bem pouco há para se aproveitar para a vida., para uma práxis verdadeira. Ao menos para a minha vida. Digo, para uma vida desfanatizada ou que tente andar no equilíbrio das coisas e manter sua sanidade, fidelidade à integridade e integralidade da mensagem cristã revelada.

Aos católicos protestantes que vivem com resquícios do pensamento de Huxley e de Pascal, onde a pessoa vive como se Deus existisse. Modulam e formatam o seu próprio “deus”. Se Ele existir, seu ganho é infinito. Se Ele não existir, não se perdeu nada. Corre paralelo ao pentecostalismo histérico atual, com cada vez mais adeptos por aí.

O “ágnostos” grego cosmopolita contemporâneo, recebe o upgrade desde as inocentes lojinhas do “Mundo Verde” espalhadas por aí, até a performance de leigos sabidos e a boa oratória -? – de padres e pastores bem intencionados (?!). O agnosticismo camuflado é a grande parada de hoje. Não exige nenhum tipo de responsabilidade moral em decorrência do que se venha a crer ou não. Na verdade é o “ver para crer”. Considera inúteis toda e qualquer realidade transcendente. Vamos nos “amar uns aos outros”, mas somente dentro dessa construção de tijolinhos, dentro desse sobrado, dentro dessa garagem ou estacionamento desativado, dentro do templo ou da paróquia. “Paz de Cristo, meu irmão”.

“Todo mundo deveria submeter suas crenças a um exame crítico. Sempre. A razão pela qual sou cristão é porque submeti minhas crenças (passadas) e descobri que elas não ficavam em pé. Para mim, acreditar em Deus tem razões muito mais robustas.” (Alister McGrath)

Acho que é isso que me nos deixa o Ano Paulino e o Sínodo da Palavra. Anunciar o querigma. Passar a ser o lobo mau da história ao criticar, não a boa tentativa, mas a hipocrisia da ingenuidade cega que distorce a fé lúcida. Correntes para engrossar abaixo-assinados via e-mail contra o aborto ou contra os gays ou fazer caminhadas pela paz com camisetas brancas. Ora, serão estas ações eficazes? Ou serão somente atitudes de cristãos aburguesados na ânsia do menor esforço?? É bem mais fácil apertar um botão e disparar dezenas de e-mails para centenas de pessoas numa lista achando que isso terá alguma repercussão na bondade de alguém ou irá fazer com que o Espírito Santo “controle” o julgamento dos ministros do STF. Valha-me Deus. Eu não creio nisso e não gosto de receber mensagens que subestimem a inteligência alheia. Estou bem longe de acreditar que o Congresso Nacional está prestes a abrir o coração ao Espírito Santo de Deus, fazer jejum e penitência e acontecer uma conversão em massa na Câmara e no Senado.

A ação nas instâncias políticas é importante, porém não deveria em momento algum fazer com que os cristãos “perdessem de vista o seu ponto de partida” (Sta Clara). Evangelizar o meu próximo mais próximo, com meu testemunho de vida e com as razões da minha esperança. Se há uma intenção interior, existe uma atitude exterior. “Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos” (1Cor 12,7). O dom maior é o amor, que penetrará todas as atividades dos membros do Corpo de Cristo.” (pe. Luiz Carlos de Oliveira)

Se há uma proclamada razão interior, exige-se o seu reflexo exteriormente, caso contrário eis a hipocrisia. A razão cristã mais básica é o “amai-vos”.

Sempre me referi, oportunamente, que “ser católico” é ser “plenamente cristão”. Eu ouso acrescentar, parafraseando o Concílio Vaticano II que guarda em suas páginas um tópico não do “ser”, mas de “quem” é o católico: Que o católico é aquele que ‘está’ na Igreja, com o corpo e com o coração. Que nem o corpo esteja amputado e nem o coração esteja dividido. É célula saudável, completa e equilibrada do Corpo Místico em (estado de) Igreja.

Uma questão que incomoda é a religião e os religiosos de fachada. Qualquer grupo ou seguimento que se intitule cristão, que se aproveitam da situação e manipulam os fiéis, com performances, promessa de prosperidade garantida, discursos inventados e distorcidos, cheios de afirmações recortadas da Bíblia, porém descoladas da realidade, e pior, sem a essência ou rastro do sinal dos primeiros cristãos, que despertava a atenção dos pagãos: “Vejam como eles se amam”. (At)

O católico protestante que vivencia sua crença como algo separado do resto do “Tesouro da Fé”, sempre terá motivos para “protestar” do “lado de fora” da Igreja. E o protestante que se negar a ter uma visão católica do cristianismo sempre estará de braços dados com o fundamentalismo, mesmo que este conheça a etiqueta de sentar-se à mesa. É o desequilíbrio da balança é o agitar o Cristo feito um boneco de pano, de um lado para o outro. Um simulacro quem pode ter a melhor das intenções. Uma grave ilusão de ótica cristã.

Por fim, para Deus nada é impossível de mudar. A Verdade nos libertará.

“Nada é impossível de mudar”

“Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.”

Berthold Brecht

(Guto Santos)


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Publicado às sexta-feira, 9 janeiro, 2009 por em Espiritualidade e marcado , , , , , , , , .

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