Ensaiando

Partituras em Braille


 

Um software criado por pesquisadores brasileiros facilita o ingresso de deficientes visuais ao mundo da música. O Musibraille é livre e gratuito, foi desenvolvido pelo professor Antonio Borges, do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  O programa é apenas um dos componentes de um projeto maior, que pretende capacitar e treinar professores e outros profissionais de educação musical para trabalhar melhor com os estudantes que possuem alguma deficiência visual.

“O Musibraille é uma técnica de transcrição musical através do computador”, explica Borges. “Uma das facilidades é que ele transcreve automaticamente os arquivos que já estão no formato music.xlm, produzidos por programas de editoração musical convencionais”, explica o professor. Ele ressalva que, por enquanto, apenas partituras mais simples podem ser convertidas, mas que em breve a função conseguirá passar para o Braille composições mais complexas.

O software permite ainda digitar, em um teclado normal, letras de música já na linguagem apropriada para deficientes visuais – para ter a partitura em mãos é preciso uma impressora especial de Braille. Outra ferramenta é capaz de tocar a partitura apresentada na tela.

Lançado hoje, na Biblioteca Nacional de Brasília, o Musibraille vem sendo pensado há mais de 12 anos por Dolores Tomé, diretora de cultura inclusiva da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.

“Meu pai era cego e músico, deixou mais de 800 composições em Braille”, conta. “Por isso sei que adaptar o material para a linguagem sempre foi complicado. Atualmente, os deficientes visuais estão impedidos de sequer prestar concurso para vagas em orquestras e conservatórios por falta de material disponível”, diz Dolores. Segundo ela, o projeto tem potencial para beneficiar mais de 5 mil pessoas em todo o país. “Além do software, faremos capacitações em uma capital de cada região do Brasil”, diz.

O músico profissional e deficiente visual Orlando Brito integrou a primeira oficina realizada hoje. Há mais de 30 anos no meio musical, ele pretende levar o software para sua cidade natal, Campo Grande. “Sinto falta de poder consumir musicografia, falta acesso às partituras. Adoraria ter em Braille grandes compositores da nossa música popular”, diz.

As oficinas com duração de 30 horas começaram hoje (08/07) na Biblioteca Nacional de Brasília, onde vão até sexta, dia 10. Em seguida, o programa segue para Recife (de 4 a 7 de agosto, na Biblioteca Pública Pernambucana da Secretaria de Educação do Estado), Belém (de 2 a 5 de setembro, na Universidade Federal do Pará), Rio de Janeiro (de 6 a 9 de outubro, no Instituto Benjamim Constant) e Porto Alegre (de 10 a 13 de novembro, na Usina do Gasômetro).

Escrito em Delphi e com a versão original elaborada para o Windows, o software também pode rodar em Linux com algumas adaptações. A partir de sexta feira, o software já estará liberado para download no site da INFO.

 

Fonte: Paula Rothman de INFO Online

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Publicado às segunda-feira, 13 julho, 2009 por em curiosidades, Notícia e marcado , , , , , , .

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