Ensaiando

A Esperança na Educação da Boa Vontade


unidos

O povo do nosso país, em sua breve existência histórica, desenvolveu uma forma de conviver e lidar com as situações-limite da miséria, pobreza, fome e violência que arrisco dizer ímpar, ou ao menos rara no mundo. É a postura do gracejo otimista, do sorriso que vai ressurgindo timidamente após uma noite de choro e de dor, da solidariedade emocionada dos simples para com seu próximo, da esperança que nos arrebata a sempre tentar, ver e encontrar, mesmo na dificuldade e adversidade, a alegria de viver. Ou melhor, a alegria de “con-viver”, de viver junto com as outras pessoas.

E qual elemento poderia responder aos clamores por mudanças e ao mesmo tempo saciar tão concretamente quanto o pão que alimenta o faminto e a água que sacia nossa sede? Certamente a integridade e integralidade da Boa Nova da pessoa do Senhor Jesus Cristo. Porém falando a linguagem do mundo, apresento e anseio pela educação. Eis que a educação é a contribuição, mesmo que não transcendente, mas transformadora, ou mesmo modeladora do que o ser humano tem de melhor em si. Uma educação da boa vontade, da promoção humana, da solicitude e compaixão, que faz enxergar aos que tem olhos e voz aos que tem boca. Qual seria a contribuição mais efetiva e eficaz, para uma solução dos problemas de nosso país do que a educação? Fico com ela e não abro mão! E acrescento…uma educação da boa vontade! Uma educação que seja motivada e motivadora, humana e humanizadora, que reaprenda a resgatar os valores esquecidos e adormecidos da honra, da lealdade, do amor a pátria, ao próximo. Educação esta que nada tem a ver com o comportamento adestrado ou com o acúmulo de informações, mas com a pessoa integral, uma educação da boa vontade para formar e promover o indivíduo na verdadeira fraternidade humana, sem perder o foco das dificuldades existentes da miséria, fome, violência e intolerância, existentes nas diversas culturas.

Josué de Castro afirmou anos antes do nascimento de projetos como “Fome Zero” ou “Ação de Cidadania” que “a fome não é um produto da superpopulação”. Assim também a violência urbana que conhecemos dolorosamente em nossa pele não é fruto nascido da situação econômica, (esta agiria como uma “enzima social”), mas sim de alternativas e modelos culturais materialistas estimulados durante décadas e que levam ainda hoje a um tipo de reação padronizada e individualista da indignação e intolerância sociais. Tão bem regidos pela grande mídia, diga-se de passagem. Diante desse complexo quadro vale lembrar o físico Albert Einstein, quando disse que “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. E pré-conceitos sucessivos se tornam quase parte de uma enraizada “genética social”, onde ao vermos o tamanho da “máquina”, suspiramos e dizemos: “Isso nunca mudará!”. Imutabilidade! Essa não é a postura de um evangelizador, como em tantas vezes já nos disse o Papa João Paulo II quando nos fala a respeito da Civilização do Amor.

A atitude otimista do educador, em si, não deflagra uma ação concreta, pois muitas vezes permanece como um “produto ilusório” e empolgante, que não resiste ao impacto da realidade. Um otimismo assim não deflagra uma ação porque não vê as coisas como elas são de fato. Eis um motivo do otimismo não constar dentre as virtudes teologais. Seria um reducionismo de conteúdo, “diminuindo” a esperança a “um pensamento bom”, um “pensar positivo”. Sem dúvida que uma postura otimista diante da vida é algo saudável e necessário até, mas apesar de importante não é um ingrediente isolado, deve acompanhar a ação frente a uma leitura lúcida, orante e honesta da realidade e neste caso que acompanhe a ação perseverante e idealista dos nossos educadores.

A Esperança numa Educação da Boa vontade deve ser lúcida, madura e consciente e não alimentada por ilusões. Ernst Bloch certa vez escreveu que “a esperança nos obriga à convicção de que o mundo é transformável”. E é justamente isso o que motiva tanto uma “educação para a boa vontade”, quanto uma “nova evangelização” – novos métodos, novas técnicas, novo ardor, etc. – É a criatividade a serviço da vida e da esperança. Nós vivemos numa época onde os discursos e estratagemas estão elaborados e complexos, conduzindo e seduzindo discretamente no que costumo chamar de o “diálogo da serpente”. O discurso educacional do mundo dialoga desta maneira, misturando aos ensinamentos lampejos de verdade juntamente com as inverdades. São distorções e deformações sobre educação, história e família, comprometendo toda uma geração.

Oxalá, que a crise educacional pela qual passamos no país, possa encontrar definitivamente a luz no fim do túnel e que os educadores numa “esperança ativa e perseverante” provoquem uma desacomodação na situação de distorção que se encontra o ideal educacional hoje em dia, que deve ter na promoção integral da pessoa humana, o centro de sua dedicação.

(Artigo do autor deste blog, publicado no suplemento Cultural Cátedra, do Jornal Testemunho de Fé da Arquidiocese do Rio de Janeiro)

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