Ensaiando

Vacina sob suspeita


Crer ou não crer, eis a questão!

 

Quem navega pela internet sabe que ela tudo comporta, desde decapitadas teorias conspiratórias, até curiosidades que deixam interrogações. Em meio a um intervalo das notícias sobre a gripe H1N1, eis que um discurso chamou-me a atenção. Comentado por uma pessoa amiga, observei com atenção e não encontrei um relato sensacionalista ou alucinado. Pelo contrário. A monja, médica e doutora em Saúde Pública, Teresa Forcades*, apresenta uma série de visões e informações a respeito do evento gripe A. Ela apresenta um discurso embassado, com argumentação sólida, no qual cita dados científicos e enumera inconsistências do panorama atual. Explica o estranhamento e as consequências da mudança da conceituação de Pandemia, feita num pronunciamento pela diretora geral da OMS, a Dra. Margaret Chan.

 

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Seu discurso chama a atenção pela argumentação séria de questões não explicadas e por isso mesmo exige resposta a altura das autoridades científicas e políticas, locais e mundias. Algo muito sério. Ela comenta não o uso dos adjuvantes (que são elementos comuns em algumas vacinas, que ajudam a respota imune do organismo, tornando as vacinas mais eficazes), mas dosagem dos mesmos presente na vacina o que poderia algum tipo de prejuízo ao indivíduo. Ela defende a proposta que se mantenha a calma diante da presente surto. Declaração essa também bastante similar a do pesquisador Donald Henderson, que liderou o combate e a erradicação da varíola no mundo.

Ele compara essa epidemia da gripe A com um surto de 1957. Diz ele em entrevista ao G1: (24.07.09)

 

"Creio que, no geral, todos estão fazendo um bom trabalho. Houve um certo mal-entendido no começo, porque as pessoas temiam que o vírus fosse parecido com o da gripe aviária, que pode até matar metade dos infectados, o que seria muito mais sério, ou com a da gripe espanhola de 1918. Na verdade, estamos lidando com uma epidemia muito mais parecida com a de 1957, que também causou preocupação no mundo inteiro, mas foi relativamente bastante leve. Nos EUA, por exemplo, quando se percebeu que a transmissão era sustentada em 1957, nem as aulas foram canceladas no começo do ano letivo, que era em setembro. E o resultado não teve nada de catastrófico, pelo contrário. Acredito que a situação atual é mesmo semelhante à de 1957. É como se houvesse uma tempestade cheia de relâmpagos num momento, e de repente o sol volta a brilhar logo depois. A taxa de infecção pelo vírus atual talvez continue relativamente alta por dois ou três anos, e então ele ficará idêntico ao da gripe sazonal. Creio que ele será um problema muito menor no inverno deste ano no hemisfério Norte, porque muitas pessoas já estarão protegidas, talvez até 3% da população, evitando o espalhamento dele.”

(Donald Henderson, ao G1)

 

Outro argumento da Dra. Teresa Forcades encontra respaldo no site do Ministério da Saúde, que também cita que "Gravidade dos casos da gripe A (H1N1) e da comum é semelhante". Sendo que a mortalidade pela gripe sazonal (comum) possui maior incidência que a gripe A. Ou seja, esse "vírus da gripe A possui uma mortalidade menor que o vírus comum da gripe sazonal."

 

"…o tratamento e internação deve ser o mesma para ambos os vírus”, afirmou o diretor de Vigilância Epidemiológica do MS, Eduardo Hage, em conversa com a imprensa. Não existem estudos que apontem como o novo vírus vai se comportar daqui para frente. (…) Segundo Hage, ainda é cedo para se confirmar, mas é possível que o novo vírus esteja substituindo o vírus da gripe comum. "  (idem)

 

Sendo assim, porque uma Campanha de Vacinação Mundial??? Se a gripe sazonal também possui numero alto de óbitos em pacientes com complicões prévias?! Porque outras vozes ainda não surgiram para refutar ou endossar esse posicionamento da doutora??? Eis que não é algo inverossível se afirmar de interesses escusos, pois os grandes laboratórios movimentam quantias bastante altas de dinheiro, os governos investiram grandes quantias adquirindo essas doses de vacinas, que na melhor das hipóteses sensatas, devem imunizar, mas certamente não preveem a cobertura de todas as cepas, ou possivéis (e prováveis) mutações do vírus dessa gripe.

 

O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, médico epidemiologista alemão, também apresenta críticas publicas contundentes. Ele afirma inclusive, “para se investigar se houve conflito de interesses entre a OMS e as farmacêuticas”. Wodarg qualificou os fatos como “o maior escândalo médico do século”, e acusou os laboratórios farmacêuticos de “terem organizado uma psicose”. E, o que é mais grave, Wodarg acusou a entidade (OMS) de manter relações impróprias com essas empresas, ao afirmar que “um grupo de pessoas da OMS está associada de maneira muito estreita à indústria farmacêutica”.  (cf. Folha Online 02 de março de 2010)

 

 

A OMS em seu site oficial possui uma seção de perguntas e respostas onde esclarece algumas questões:

 

A vacina contra a gripe é segura?

Resultados de estudos realizados até agora sugerem que vacinas contra a pandemia são tão seguros como vacinas contra a gripe sazonal. (Outcomes of studies completed to date suggest that pandemic vaccines are as safe as seasonal influenza vaccines.) Os efeitos colaterais visto até agora são semelhantes aos observados com vacinas contra a gripe sazonal. (Side effects seen so far are similar to those observed with seasonal influenza vaccines.)

 

Testes e homologação

Que tipo de teste está sendo feito para garantir a segurança? (What kind of testing is being done to ensure safety?) Porque o vírus pandémico é novo, tanto ensaios não-clínicos e clínicos está sendo feito para obter informações essenciais sobre a resposta imune e segurança. (Because the pandemic virus is new, both non-clinical and clinical testing is being done to gain essential information on immune response and safety.)

Os resultados dos estudos relatados até agora sugerem que as vacinas são tão seguras como as vacinas contra a gripe sazonal – gripe comum. (The results of studies reported to date suggest the vaccines are as safe as seasonal influenza vaccines.)

No entanto, mesmo muito grandes estudos clínicos não será capaz de identificar possíveis eventos raros que podem tornar-se evidente quando são administradas vacinas contra a pandemia de muitos milhões de pessoas. (However, even very large clinical studies will not be able to identify possible rare events that can become evident when pandemic vaccines are administered to many millions of people.) A OMS recomenda a todos os países administrar vacinas contra a pandemia de realizar um acompanhamento intensivo para a segurança e relatório de eventos adversos graves. (WHO advises all countries administering pandemic vaccines to conduct intensive monitoring for safety and report serious adverse events.)

 

Ainda simultaneamente a tudo isso já surgem notícias de procedimentos e questões financeiras suspeitas à respeito:

Sobra de vacina contra a nova gripe causa polêmica na Europa (04.01.2010)

EUA retiram de circulação 800 mil doses de vacina contra nova gripe (15.12.2009)
  (Imunizantes perderam entre 10% e 12% da eficácia após aprovação)

Gripe suína: sobra de vacina causa polêmica na Europa (04.01.2010)

“França gastou US$ 1,2 bilhão com vacinas anti-H1N1, mas só 8% da população foi vacinada”. “Na Sérvia, oposição denuncia falta de licitação para compras”. Entre outras manchetes da imprensa mundial.

 

 

Resta-nos juntas as peças do quebra-cabeça e observar o caminho para onde os fios soltos conduzem para, quem sabe, visualiarmos um posicionamento mais claro diante da questão. A suspeita existe e muitas perguntas ainda não foram respondidas. Penso que antes de uma vacinação em massa (que é a meta do governo brasileiro) de vacinar "1,5 milhão de pessoas por dia", deveriam ser apresentados os devidos esclarecimentos, se é que isso é possivel. Pois omissão governamental também não é algo novo na história da humanidade.

 

Não defendo as teorias conspiratórias de que a vacina possa conter esse ou aquele elemento para um genocídio planetário, esse bla, blá, blá é tolice de arquivo X. Mas se o paralelo com a gripe sazonal se faz tão próximo, a questão da real necessidade de vacinação contra a gripe A se torna verossimel, até porque os grandes laboratórios não são casinhas de caridade, o que importa para eles é dinheiro, e quanto mais melhor. Afinal não é a primeira e nem a última vez que alguém iria lucrar com a desgraça alheia.

 

Estaria a OMS equivocada? Sabe-se que mesmo uma vacina para gripe não é definitiva e não pode cobrir prevendo todas mutações das cepas existentes. "Não existem estudos que apontem como o novo vírus vai se comportar daqui para frente". Uma coisa é certa…ele não "evaporou" da face da terra. Isso é praticamente um concenso entre os vários especialistas. Só vale recordar, apesar do quadro diferencial, que a gripe espanhola também teve uma primeira onda branda antes de ressurgir com alta mortalidade. No olhar histórico e clínico da microbiologia, podemos dizer que os grandes surtos epidemicos de influenza no mundo são de certa forma cíclicos, o que irá diferir são as condições de contenção, de repressão medicamentosa, comportamental, de higiene e etc. Mas num mundo cada vez mais globalizado os surtos possam ser mais perigosos do que aparentam. Eis um sério dilema.

Guto Santos

 

 

___________________________________________

* ps: Teresa Forcades é licenciada em Medicina pela Universidade de Barcelona, especialidade de Medicina Interna na Universidade de Nova Iorque, doutorada em Saúde Pública pela Universidade de Barcelona. Licenciada em Teologia pela Universidade de Harvard. Monja Beneditina no mosteiro de Sant Benet, em Montserrat, Barcelona.

 

 

Alguns links relacionados :

OMS (Organização Mundial de Saúde)

OPS (Organização Panamericana de Saúde)

Governo quer vacinar 1,5 milhão de pessoas por dia contra a nova gripe (04.03.2010)

Vacina polivalente para gripe pode chegar em dois anos, afirma epidemiologista
(entrevista com Donald Henderson, epidemiologista que liderou a erradicação da varíola no mundo)

Há poucas evidências de que vacina da gripe funcione em idosos, diz pesquisa

 

 

Neste blog: (atualizado em 17.01.2010)

A OMS sob suspeita

Influenza – Resposta do Ministério da Saúde

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